CNPEF, grande avanço para atuação do Economista

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Simone Magalhães

Economista, presidente do Corecon-RS, Perita Judicial e Extrajudicial
Corecon-RS Nº 6532

 

Qual o objetivo do Cadastro Nacional de Peritos em Economia e Finanças (CNPEF)?
O cadastro, ou banco de dados, que reúne informações profissionais sobre economistas que atuam na área da Perícia econômico-financeira foi criado pelo Cofecon, através da Resolução nº 1.951, de 11 de abril deste ano, e lançado oficialmente, em todo o País, no dia 14 deste mês. A medida atende à exigência do Novo Código de Processo Civil Brasileiro, que permite aos magistrados brasileiros a possibilidade de serem assistidos por peritos em áreas específicas, entre eles, o economista.

Qual a importância do CNPEF para o profissional da Economia?
Desde a entrada em vigor do novo CPC, quando a perícia é classificada como "especializada", o magistrado necessita buscar os profissionais mais qualificados para a atuação. A perícia especializada sempre contemplou totalmente a área econômico-financeira, mas isso não ficava claro, sendo que o judiciário sempre interpretava com sendo perícia contábil, a qual é um dos tipos da perícia econômico-financeira. O cadastro vai exigir conhecimento e competência técnica do economista.

Como está o mercado para atuação do economista nesta área?
O mercado de trabalho do economista nas diferentes áreas da Perícia vem crescendo muito nos últimos anos, tanto no Rio Grande do Sul como no resto do País. O volume de processos no judiciário impressiona e com o avançar da crise econômica, aumenta ainda mais, transformando a nossa área de atuação um universo sem fronteiras. A partir do novo CPC e da disponibilização do cadastro aos magistrados, o mercado irá crescer muito mais, especialmente após o momento em que o poder Judiciário instrumentalizá-lo em sua rotina de trabalho.

O que faz um perito na área econômico-financeira?
Atuando como perito, o economista é responsável por elaborar um trabalho técnico-científico para dirimir conflitos econômico-financeiras que deram origem ao processo. O profissional pode atuar como perito do juízo ou assistente técnico de uma das partes, nas áreas da perícia judicial e extrajudicial ou na assistência técnica em matéria de natureza econômico-financeira, incluindo cálculos de liquidação, entre as áreas inerentes à profissão de economista. É importante lembrar que, pelo seu conhecimento e formação teórica, o economista tem contribuído de forma significativa na interpretação e análise dos processos judiciais, com subsídios muito fortes à tomada de decisões dos magistrados gaúchos.

Como o profissional que vem atuando na área da perícia econômico-financeira deve proceder para se inscrever no Cadastro Nacional?
O cadastro é totalmente elaborado pela internet, através do site www.cofecon.org.br/cnpef. O profissional interessado deve preencher no site todos os seus dados profissionais, fotos e certificados que comprovem sua condição de perito. Os dados passam por uma análise prévia do seu Conselho Regional, que, homologados, expedirá um número de registro no Cadastro dos Peritos. O Sistema permitirá, também, a emissão de certidões e de outras informações, que devem ser previamente autorizadas pelo profissional, no momento da elaboração do cadastro. Para 2017, o grupo de trabalho formado por economistas peritos experientes que atuam em todo o Brasil, estarão trabalhando para a certificação dos profissionais, garantindo ainda mais qualidade no trabalho.

De que forma os magistrados gaúchos serão informados sobre o Cadastro?
O Corecon-RS já vem se comunicando com o poder Judiciário do Rio Grande do Sul, que tem acompanhado a criação do CNPEF. Ao longo dos meses de maio e junho deste ano, a Entidade realizou diversos contatos, que culminaram com visitas ao presidente da Associação dos Juízes do RS (Ajuris), juiz Gilberto Schäfer, à Corregedora-Geral de Justiça do RS, desembargadora Iris Helena Medeiros Nogueira, e ao presidente do Tribunal de Justiça do RS (TJRS), desembargador Luiz Felipe Silveira Difini. Nesses encontros foram ouvidas sugestões dos magistrados, assim como também foram levadas a preocupação do Cofecon e do Corecon-RS com a eficiência da medida e com a qualificação dos profissionais registrados no Cadastro. Nessas oportunidades, reafirmamos ao Poder Judiciário o compromisso do Cofecon e do Corecon-RS com a criação do Cadastro, oportunidades em que ouvimos elogios à iniciativa do Conselho Federal, pelas dificuldades que os juízes têm tido para encontrar peritos com qualificação para desempenhar suas atividades junto ao Judiciário. Nesta semana, também encaminhamos ofício aos magistrados gaúchos, comunicando-os da Resolução do Cofecon, homologando oficialmente a criação do CNPEF.

Criado o Cadastro Nacional, qual a providência do Corecon-RS?
O Corecon-RS, assim como todos os demais regionais do país, terão uma comissão interna para analisar se os documentos comprobatórios estão de acordo com as informações declaradas no currículo postado e para validar a referida documentação. Também já estamos preparando uma série de eventos para 2017, quando o Corecon-RS estará promovendo aperfeiçoamento aos profissionais da área, de forma que nossos economistas peritos estejam preparados para a etapa de certificação.

O RS, a busca do equilíbro fiscal e o "keynesianismo gaudério"

foto Brites Jaques

 

Antonio Carlos Brites Jaques

Corecon/RS Nº 2590
Economista, Consultor Econômico, Ex-presidente Corecon/RS,
Ex-vice-presidente Cofecon, Ex-secretário da Fazenda do RS


A discussão do momento no país, em relação ao setor público, é a questão do equilíbrio fiscal. Qual a razão de tanta polêmica?
A discussão tornou-se muito polêmica porque nela aparecem fortemente mescladas análises econômicas e visões ideológicas. Há segmentos da população, incluindo parlamentares e até mesmo economistas que não acreditam na necessidade de se buscar o equilíbrio do orçamento público. Para estes, perseguir o equilíbrio fiscal é uma visão neoliberal, de redução do estado e das políticas públicas. Esta não é a minha visão e, portanto, estou inserido numa corrente de economistas que entende ser o equilíbrio fiscal um pré-requisito fundamental da política macroeconômica. Não se trata de buscar um equilíbrio contábil, perfeito e contínuo, igual a zero. Obviamente podem ocorrer déficits ou superávits episódicos, em períodos alternados, sem qualquer problema. Mas a sociedade sabe muito bem o que acontece quando se abre um déficit fiscal volumoso e persistente: endividamento crescente via emissão de títulos, com pressão sobre as taxas de juros, desincentivo ao investimento produtivo e, o pior dos castigos, o desemprego, para ficar apenas nas consequências mais conhecidas.


E quanto à situação brasileira?
Com o maior rombo fiscal de sua história e mais de 12 milhões de desempregados, o Brasil é o exemplo gritante dos efeitos de um déficit fiscal fora de controle, embora a crise atual contenha fatores coadjuvantes. Portanto, entendo que equilíbrio fiscal não é ou não deveria ser uma questão ideológica. Para mim equilíbrio fiscal é um pré-requisito. O que se poderia discutir então, passando a um nível superior do debate, a partir de diferentes visões quanto ao sistema produtivo e de governo, seria a forma de financiar o Estado, ou seja, o sistema tributário, mais ou menos regressivo, mais ou menos incidente sobre capital ou trabalho, etc., bem como a qualidade e o direcionamento do gasto público e dos investimentos governamentais. Não tenho dúvidas de que é absolutamente necessário de algum modo frear o crescimento dos gastos públicos, por absoluta falta de alternativas. A permanecer tudo como está o setor público brasileiro é financeiramente insustentável. Se isto deve ser um dispositivo constitucional e se deve ser por 10 anos prorrogáveis por mais 10, é algo que me parece poderia ser melhor discutido. E, é claro, o pacote deveria estar acompanhado de medidas pelo lado da receita, como o aprofundamento do combate à evasão e aos crimes de sonegação fiscal, endurecimento na cobrança dos grandes devedores do fisco e uma avaliação econômica, caso a caso, de todos os benefícios fiscais em vigor, a ser feita pelo conjunto dos Estados. Incentivos fiscais setoriais podem ser importantes em determinados casos, mas devem resultar na expansão e consolidação do segmento beneficiado ou então acabam se transformando em meras tábuas de salvação para setores ou empresas ineficientes.


Por que você diz que as finanças públicas da União, Estados e Municípios são insustentáveis no longo prazo?
A lei de responsabilidade fiscal (LRF) foi um primeiro e gigantesco passo em termos de coordenação fiscal federativa. Desafortunadamente a LRF não garante sustentabilidade de longo prazo nas finanças públicas, frente aos ciclos econômicos. Explico melhor: no setor privado pode-se aumentar despesas, conceder aumentos salariais iguais ou até mesmo acima do crescimento das receitas e lucros porque, quando sobrevém a crise econômica ou uma crise setorial, queimam-se gorduras acumuladas, ajusta-se o volume de produção, ou, ainda, negociam-se acordos coletivos de férias, de redução da carga horária, de redução de salários ou, no limite, promovem-se demissões. No setor público, as despesas correntes, por vários motivos, aumentam acima das receitas correntes acompanhando a euforia dos períodos de crescimento econômico. Então, quando a economia entra em estagnação ou queda, o colapso financeiro já está instalado.


Por que isso acontece?
Em razão da irredutibilidade dos salários públicos, da estabilidade funcional dos servidores, do crescimento vegetativo da folha, dos custeios sempre crescentes, enfim, pela rigidez dos gastos públicos, protegidos por dispositivos constitucionais e legais ou por pressões corporativas e lobbies setoriais. Deste modo, para obter-se equilíbrio fiscal sustentável, as despesas correntes deveriam crescer, em termos reais, em ritmo abaixo do das receitas correntes, gerando lastro para suportar quedas de receitas e promover um patamar mínimo de investimentos em infraestrutura. Esta proposta seria até mesmo mais severa do que a do teto de gastos previsto na PEC 55. Obviamente teria que ser implantada em prazo dilatado e de forma gradual, preservando-se gastos sociais prioritários, enquanto se promove a modernização do setor público, em termos de estruturas, liderança, processos, tecnologia, inovação e capacitação. Neste rumo, o passo definitivo a ser dado, mais dia menos dia, será o de criar norma, em nível nacional, que garanta a Sustentabilidade Fiscal de longo prazo. Resumindo: há um desequilíbrio financeiro estrutural cíclico do setor público brasileiro, já analisado por vários economistas e outros estudiosos de finanças públicas.


Como você analisa esta que é a maior crise financeira já ocorrida no Rio Grande do Sul?
Em termos conceituais crise é um episódio de curta ou no máximo de média duração. Portanto, esta não é uma crise e nem a maior crise, mas sim o estágio terminal de um processo que vem se acumulando e aprofundando há mais de quatro décadas. Nos últimos 45 anos o RS apresentou déficit orçamentário em 39 anos. A consequência lógica e natural foi o endividamento crescente e a insolvência. Durante muito tempo, o Estado utilizou-se de todas as heterodoxias e engenharias financeiras possíveis e imagináveis, na tentativa de tapar os buracos de seu caixa. Até que estas se esgotaram. Não há mais nenhuma mágica, “terminaram os coelhos da cartola...” A recessão colocou a nu o gigantesco déficit da maioria dos estados e também dos municípios. A inexistência, por longo tempo, de fundos de aposentadoria sustentáveis, distorções e privilégios no sistema previdenciário público e o aumento do tempo de vida dos servidores, produziram um passivo previdenciário absurdo no setor público estadual. Diga-se de passagem, os aposentados não tem nenhuma culpa disto... a gestão temerária de sucessivos governos é a responsável. Ao longo do tempo nunca faltaram relatórios com alertas das auditorias interna e externa do Estado (auditores da CAGE e do Tribunal de Contas), mas o Pleno do Tribunal de Contas e a Assembleia Legislativa fizeram ouvidos moucos. Chegamos ao cúmulo de um Conselheiro do TCE recomendar a aprovação, “com louvor”, das contas do período governamental anterior ao atual.


Pagar os salários do funcionalismo deveria ser uma prioridade. Por que o atual governo atrasa os salários?
O atual Governador do RS recebeu o Estado quebrado e sem nenhuma válvula de escape, ou seja, deficitário, endividado e sem margem de endividamento. É lógica elementar que nenhum governador (políticos, cujo patrimônio é o voto) gostaria de atrasar ou parcelar salários. Para que? Só pelo gosto de sacrificar os servidores e se auto-imolar? E mesmo que quisesse, seria necessário esconder dinheiro, que circula todo ele por via bancária, anestesiar a CAGE, o Tribunal de Contas e o Ministério Público. O governo estadual vem manejando a crise do jeito que dá, cortando os gastos que pode e lançando mão das poucas medidas heterodoxas possíveis, incluindo o avanço nos depósitos judiciais. Mas somente consegue cortar despesas do Poder Executivo, por força de disposições constitucionais, e enfrenta forte redução em suas receitas tributárias, decorrente da queda na atividade econômica. Do ponto de vista de caixa, se a economia não voltar a crescer, pode-se prever um 2017 ainda pior que 2016. Ainda assim o governo estadual pode contabilizar pelo menos dois grandes avanços: a Lei de Responsabilidade Fiscal estadual e o projeto de Previdência Complementar para novos funcionários.


Mas, exatamente num momento de crise o Governo do Estado deveria investir para estimular a economia, ao invés de cortar, cortar e cortar. Não lhe parece?
Dentre as prescrições keynesianas estão a intervenção estatal via gasto público de um país, como política contracíclica, em períodos de depressão econômica. No entanto, o Estado Rio Grande do Sul é um estado-membro da República Federativa do Brasil; não é um país, não pode emitir moeda, não pode emitir títulos públicos e, principalmente, é altamente deficitário, está endividado ao extremo, sem limites legais para assumir novas dívidas e sem capacidade de pagamento para saldar as dívidas acumuladas. O Estado não consegue sequer pagar a folha do funcionalismo, demonstrando claramente que chegou ao fundo do poço da insolvência. O crescimento da economia gaúcha – e dos demais estados – acompanha o ritmo de crescimento da economia nacional. Os estados-membros possuem raros e quase insignificantes instrumentos de estímulo ao crescimento econômico. Dentre estes, a renúncia fiscal setorial em larga escala e a guerra fiscal, competição entre estados-membros para atração de investimentos. Ambas as modalidade de incentivos tornaram-se altamente predatórias, como resultado da conhecida falácia da composição. Assim, propor o aumento do gasto público do RS como forma de tirar o Estado da crise econômica é ignorar a realidade financeira do Estado e os condicionantes a que estão submetidas as finanças estaduais. No entanto, vale referir, ainda hoje ouvem-se opiniões e entrevistas de algumas autoridades, agentes políticos e funcionários graduados pregando o “keynesianismo gaudério”, que só lembram de Keynes em momentos de queda da atividade econômica, nunca em quadro de euforia e inflação.

O impacto Trump

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Marcelle Chauvet

Economista, professora de Economia na Universidade da Califórnia – Riverside (EUA)

 


Qual o impacto no cenário internacional das políticas externas no governo de Donald Trump?
Trump apresentou uma retórica muito forte durante sua campanha, o que acabou proporcionando sua eleição. Mas eu não acho que ele acredita muito no que estava falando, e o que ele deve realmente fazer a partir daí é uma incógnita. Depois de eleito, ele concedeu diversas entrevistas retirando, em vários sentidos, muitas posições assumidas durante a campanha. Toda a sua plataforma eleitoral foi de extremismo. A minha esperança é que ele se assuste com a dimensão do impacto que tudo isso possa ter e que possa tomar decisões bem mais moderadas e acessíveis. Foi o que aconteceu com o ex-presidente brasileiro Lula da Silva em sua primeira eleição. Na época, praticamente houve uma recessão no Brasil. O mercado reagiu fortemente, com medo das medidas que Lula poderia vir a adotar. Mas ele acabou fazendo um governo extremamente conservador em termos de negociação da dívida. Deu continuidade às políticas públicas e de gastos do governo FHC, mas foi bem conservador nos primeiros anos, proporcionando com que a economia respondesse bastante bem a essas ações. Foi um período em que Lula, recentemente eleito, ficou assustado com o seu poder de destruição. E é o que acontece com Trump que, por sua vez, também terá esse exato entendimento do impacto de suas decisões.


E com relação ao Brasil?
Ele falou e continua falando muitas coisas como, por exemplo, de rever decisões de governantes anteriores. Mas a verdade é que, muitas vezes, tratam-se de acordos impossíveis de serem rompidos. Como o caso de contratos que, uma vez acordados, têm que ser honrados. Não seis se não foi uma plataforma política para vencer as eleições. Lógico que, em termos de afetar o Brasil, através de incerteza política e fuga de capitais, isso já está ocorrendo. Mas se trata de algo transitório.


Como eleitor norte-americano, que confiou seu voto no Trump, vê o fato de ele não cumprir promessas de campanha?
Trump não tem compromisso com ninguém porque não é um politico de carreira. E a plataforma dele tem sido falar o que quer, e fazer o que bem entender. Ele deixou bem claro depois de eleito, através de várias entrevistas, que posições assumidas durante a campanha tinham como objetivo causar impacto ou forte reação de alguns setores da população norte-americana. Mas, por outro lado, eu não acho que ele não tenha compromisso. Já tem 49% da população americana que não votou nele e caso ele não venha agradar os outros 51%, ele terá uma pressão social muito forte para sair.


Diante de eventuais políticaa mais protecionistaa por parte do governo Trump, a alternativa seria o Brasil buscar maior aproximação comercial com a China?
Essa é a parte principal. Trump falou muitas coisas que eu acredito que ele não tenha entendimento profundo. Ele quer, por exemplo, terminar com contratos do Nafta. Sabe-se que os EUA são muito protecionistas, mas ele não tem muita clareza de suas intenções. Durante a campanha, dizia que iria interferir na China porque a china não poderia mais ter a taxa de câmbio que tem. Então eu acho que agora ele vai estudar um pouco sobre isso e começar a entender sobre algumas coisas que ele pode construir. Foi uma das questões que ele mais discordou da adversária Hilary Clinton. Muita gente podia até não concordar com ela, mas ela sabia muito bem o que estava dizendo, ao passo que Trump mantinha-se com suas posições completamente extremas. Donald Trump não faria isso. A China é o maior agente inibidor de inflação nos EUA e no mundo porque seus produtos são muito baratos. E se os EUA fecharem as portas para os produtos chineses, teria que buscar novas opções a preços bem mais caro, provocando uma alta da inflação.

Doutorado e a Economia da Unisinos

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Luciana de Andrade Costa,
Corecon/ES Nº 1533
Economista, Coordenadora PPGEcon Unisinos

 


Qual a importância do reconhecimento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na homologação do curso de doutorado em Economia da Unisinos?
Dentro do planejamento da Unisinos, de se internacionalizar e se tornar uma universidade com excelência em pesquisa, era primordial que, em conjunto com os outros programas de pós-graduação da Escola de Negócios da Universidade, tivéssemos a possibilidade de oferecer para nossos alunos um curso em nível de doutorado em Economia. Como estamos localizados em uma região que tem uma presença forte da indústria com atuação global, pretende-se formar pessoal altamente qualificado em termos técnicos seja para aqueles que desejam seguir a carreira acadêmica quanto aos que pretendem se tornar ainda mais qualificados para exercer as suas atividades profissionais, obtendo-se uma formação sólida em teoria econômica, com foco na nossa área de concentração que é organização industrial e economia internacional.

É um ganho também para a região?
Certamente, na medida em que temos pouquíssimos programas de pós-graduação com área de concentração em organização industrial e economia internacional. São poucos no Brasil com essa linha, e nós conseguimos, no Sul do Brasil, nos diferenciar, formando profissionais com esse tipo de especialização. E acredito que, na medida em que os estudos, tanto na área de Economia como na área de negócios em geral, se tornam mais interdisciplinares, o curso vem justamente auxiliar na parte de formalização teórica e quantitativa.

Qual a importância do curso de doutorado para o profissional da Economia no mercado de trabalho atual?
Nossa área de concentração é em organização industrial e economia internacional e o aluno escolhe a linha de pesquisa que ele quer se especializar, passando a ter uma formação sólida dentro dessa linha, tanto na parte quantitativa quanto na parte teórica. Com esse instrumental e qualificação, o profissional pode tanto seguir a carreira acadêmica, atuando como docente e pesquisador, quanto pode potencializar sua atuação profissional com competências necessárias para entender problemas e propor soluções, tanto no setor privado (empresas), quanto no setor público e em organizações diversas da sociedade civil.

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