Contribuição da indústria para a economia

O setor industrial surgiu no Brasil no fim do século 17, ou seja, é uma das atividades mais antigas da economia moderna e se mantém até hoje como um dos destaques da economia do país. As indústrias, onde quer que estejam instaladas, promovem o desenvolvimento por meio da geração de empregos, impostos, transformando matérias-primas em produtos comercializáveis. É dinheiro novo que ingressa na economia por meio da força humana, energia ou máquinas. Tudo que transforma é considerado indústria, como no caso das mineradoras, madeireiras, petrolíferas, metalúrgicas, indústrias de bens intermediários que produzem papel e celulose, produtos químicos, borrachas, plásticos, componentes elétricos e eletrônicos, indústrias de bens de consumo duráveis, automóveis, móveis e tantos outros.

O país detém, hoje, mais de 18 milhões de empresas em atividade, sendo 1,3 milhão com atuação voltada para a indústria. A importância do setor pode ser constatada pela contribuição de 22% do PIB nacional, 49% das exportações, 20% de participação na geração de empregos formais, 32% dos tributos federais, além da contribuição de R$ 1,3 trilhão para a economia brasileira. As informações são oriundas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Portal da Indústria. Afirma-se, com certa convicção que a cada R$ 1 produzido na indústria, são gerados R$ 2,40 para a economia do país. O maior centro industrial do país é o estado de São Paulo, que conta com mais de 300 mil indústrias ativas.

O município de Pelotas carece de um parque industrial ativo e diversificado. Como a economia pelotense está alicerçada basicamente no comércio e serviços, a injeção de dinheiro novo não é representativa quando comparada à Serra Gaúcha e outros municípios como Triunfo e Gravataí, que apresentam desenvolvimento destacado no setor industrial do Estado. Dados disponíveis apontam que o setor industrial de Pelotas representa apenas 9,9% do PIB municipal. Enquanto os setores de comércio e serviços somavam, em 2020, 79,5% dos empregos celetistas (30,6% no comércio e 48% no setor de serviços), a indústria, a construção civil e a agropecuária somavam, respectivamente, 13,9%, 5% e 1,6% dos empregos formais celetistas.

É incompreensível que Pelotas não consiga atrair indústrias que produzam para o mercado interno ou para a exportação. A posição estratégica da cidade em relação ao Porto de Rio Grande e ao Mercosul é um dos fatores que poucas cidades possuem. Além do mais, a cidade tem outras condições favoráveis como espaço para a instalação, água potável em abundância, energia adequada, mão de obra qualificada formada pelos vários cursos superiores e profissionalizantes, facilidades de acesso à capital com a duplicação quase completa da BR-116, cidade plana, o que favorece a circulação interna. Enfim, o que estará faltando para que a cidade se transforme num grande polo industrial da Metade Sul?

Não há dúvida de que o desenvolvimento da atividade industrial em uma região é acompanhado por mudanças sociais, não são apenas as unidades fabris que refletem no ambiente ao seu redor, pois elas também são afetadas por fatores locacionais. Isso significa que a atividade industrial pode ser impactada em razão de características do local em que se encontra. Isso faz com que a decisão do local de instalação de uma organização fabril seja acompanhada e embasada em diversos estudos sobre fatores importantes relacionados ao lugar que possa influenciar a sua atividade. Entretanto Pelotas tem quase tudo que os empresários buscam para instalar seus empreendimentos. Talvez o principal deles seja os "incentivos" para chegar até aqui, seja no aspecto motivação ou, principalmente, no aspecto fiscal. Quem sabe um dia possa enaltecer a importância da indústria para a economia pelotense.

Artigo de autoria do conselheiro do Corecon-RS e diretor da Associação Comercial de Pelotas (ACP), economista João Carlos Medeiros Madail, publicado no Diário Popular de Pelotas, edição do dia 22/09/22.

São os economistas robôs?

Nós, economistas, recorremos a nossos modelos e sistemas, hoje muito vinculados à ciência da computação, para interpretar realidades, projetar o futuro e tomar decisões. Alguns emprestam seu conhecimento a configuração de algorítmos e à inteligência artificial. Tendência que aumentam os riscos de sermos substituídos por robôs. E, talvez muitos de nós revelem essa preferência, devido à frieza e a racionalidade a serem alcançadas. Nossa Bioética impede, mas, paradoxalmente, a paixão pela economia leva muitos economistas à fronteira entre a humanidade e o não-humano. 

Prever fatos futuros sempre foi desejo da humanidade. Seja no Antigo Egito, com a interpretação dos sonhos dos faraós, no Oráculo de Delfos, da Grécia Antiga, ou na quiromancia e na astrologia que permanecem nas esquinas.

Quando se trata de projetar as tendências do futuro, sejam elas individuais (micro) ou em bloco (macro), os recursos matemáticos e estatísticos são ferramentas dos economistas. Usamos modelos descritivos e analíticos. Os primeiros são empíricos e descrevem as reações sem lhes dar explicação.
O modelo analítico explica e busca causas, soluções e tomadas de decisão. Não raro, economistas iniciantes se apaixonam pela conveniência de modelos descritivos matemáticos e robotizam suas interpretações. 

Infelizmente, vimos economistas usarem a defesa da economia com teses matemáticas para que brasileiros fossem às ruas e corressem o risco de contágio durante a pandemia. Assistimos a descrições que calculavam quantos hectares de florestas queimadas poderiam ser compensados por aumento do PIB. 

A economia não é o oposto de saúde ou sustentabilidade. Não somos robôs, Não seremos substituídos por algorítmos em sistemas computacionais. 
A profissão é nobre. Buscamos, é verdade, otimizar as tomadas de decisão para que o bem-estar gere desenvolvimento sustentável. E, nesses casos,
e não somente neles o ótimo é inimigo do bem. 

 

Artigo de autoria do Ex-Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico de Porto Alegre e Ex-Presidente do Corecon-RS, economista Leandro de Lemos, publicado na Zero Hora, edição do dia 19/09/2022.

Principais indicadores fundamentalistas

A crise mundial econômica ocasionada pela pandemia da Covid-19, onde o Produto Interno Bruto (PIB) das principais economias do mundo teve quedas significativas e aumento das taxas de juros, repercutiu nos mercados financeiros, principalmente nas ações do mercado americano, europeu e brasileiro. Assim no momento atual, as ações de boas empresas brasileiras apresentam-se como um interessante investimento de longo prazo, pois o tempo favorece na maturação dos resultados das empresas, além de equilibrar a volatilidade do mercado. Contudo, para minimizar o risco inerente em investimentos em renda variável, e com isso realizar uma estratégia para maximizar o retorno financeiro, é preciso fazer um bom planejamento, assim como investir com a assessoria de um especialista com experiência no mercado de ações.

Para que esse investimento inicie-se corretamente e com o mínimo de risco possível, é necessária uma análise fundamentalista, que envolve a análise qualitativa – que mede a qualidade da gestão e governança corporativa da empresa -, e a análise quantitativa, baseada no balanço das empresas. Existem vários indicadores fundamentalistas estudados para avaliar a situação das empresas, eis alguns importantes:

P/L - PREÇO/LUCRO

Este indicador relaciona o preço de mercado de uma ação com seus lucros. Por meio dele, conseguimos saber se uma determinada ação está mais cara ou mais barata. É um indicador simples que pode ser facilmente utilizado como critério comparativo entre duas empresas atuantes em um mesmo setor.


DIVIDEND YIELD

O principal objetivo deste indicador é mostrar o quanto a empresa paga ao seu investidor. Quanto maior for o dividend yield, maior será o pagamento de dividendos por parte da empresa. Ele é calculado por meio da seguinte fórmula:

Dividend Yield = Dividendo pago por ação dividido (÷) pelo preço da ação.

Este indicador é usado, principalmente, por investidores que desejam montar uma carteira focada no recebimento de dividendos.


P/VPA: PREÇO/VALOR PATRIMONIAL POR AÇÃO

Em tese, o indicador P/VPA compara o valor de mercado da empresa (que corresponde ao valor da ação vezes (x) o número de ações) com o seu valor contábil (ativos menos passivos). Ou seja, relaciona o preço de uma ação ao valor patrimonial proporcional que ela possui. Basicamente, quanto mais baixo o P/VPA, mais barata está a empresa.


EV/EBITDA:

Ebitda, sigla em inglês para Earnings Before Taxes Interest Depreciation and Amortization, significa “Lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização”. Este indicador é uma medida simplificada da geração de caixa de uma empresa. Por sua vez, EV vem do inglês Enterprise Value, compreendendo o valor de mercado da empresa (preço da ação vezes (x) seu número total de ações), que é somado com a dívida líquida. Nesse sentido, o EV/EBITDA esboça aos analistas a ideia de quanto tempo demoraria para o lucro operacional da companhia pagar o investimento realizado na compra.


ROE

ROE, sigla de Return On Equity, significa “Retorno sobre Patrimônio Líquido”. Este indicador aponta qual o retorno que os sócios de uma companhia estão obtendo em relação ao dinheiro investido nela. Ou seja, mede a capacidade que a empresa tem de gerar retorno para o capital próprio investido.

O investimento em ações pode trazer duas formas distintas de ganhos: a valorização das ações e os dividendos que é parte dos lucros das empresas, distribuídos entre os acionistas.

O indicador P/L é usado mundialmente e os países desenvolvidos possuem um P/L maior do que os emergentes por apresentarem uma maior estabilidade econômica. Segundo o economista americano Robert Shiller, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2013, “Todas as economias bem-sucedidas têm mercado de capitais desenvolvidos”.

 

Artigo de autoria do economista e investidor autônomo, Manoel Gil Costa Soares

Inflação ou deflação, eis a questão

Todas as alterações de rumo nas políticas econômicas que resultem em aumento da inflação merecem atenção especial, pois prejudica não apenas os investimentos e crescimento do País, mas também impõem elevados custos sociais, custos estes que tendem a ser inversamente relacionados ao nível de renda dos indivíduos, implicando maior penalização aos mais pobres.

A inflação brasileira em 2022, prevista pelo mercado financeiro, passou de 7,02% para 6,82%, ou seja, uma redução explicada pela tendência de queda dos preços na economia. O cenário de queda da inflação é uma boa notícia para a população que teme o retorno dos tempos difíceis com o avanço dos preços relativos de produtos e serviços, que impactam diretamente no bolso de todos, aumentando gastos na aquisição de bens necessários. Com o cenário da inflação sob controle, surge outra preocupação; a “deflação”.

A deflação é o processo inverso da inflação, ou seja, ocorre quando os índices de preços passam a cair ao invés de subir. As causas da deflação estão relacionadas com a oferta maior de produtos e serviços em contrapartida a demanda menor. Em países em desenvolvimento, a inflação parece fazer parte do cotidiano das pessoas que costumam pesquisar preços, na busca das melhores ofertas. Já num cenário de deflação, parece agradar a todos responsáveis pela gestão financeira dos países, o que não deixa de ser verdade, mas deflação por longos períodos pode representar um grande perigo para a economia de um país.

Um exemplo histórico sobre os efeitos da deflação ocorreu nos Estados Unidos com a queda da Bolsa de Valores de Nova York em 1929. Quando deflagrada a crise no país americano, naquela época, as empresas foram obrigadas a reduzir os preços dos produtos e serviços, levando o mercado a um estado de recessão. Com a queda dos preços, sem previsão de suba, refletiu diretamente em perdas de empregos e queda da renda das pessoas, colocando todo o país em uma das maiores crises econômico da sua história.

O ideal é que ocorra uma elevação controlada a cada espaço de tempo e com isso eleve também outros indicadores, como renda da população, oferta de empregos e consumo. Num cenário de deflação pode ocorrer, também, menos quantidade de moedas em circulação, pois menos dinheiro circulando significa menos pessoas comprando, o que desestimula ainda mais o consumo e afeta a produção gerando queda dos preços e problemas para a economia. Quando acontece o movimento contrário por muito tempo, pode indicar que há algum problema com a economia do país e que é preciso combater as causas dessa deflação.

O importante é que a população entenda o que é deflação e a partir desse entendimento, possa criar o seu próprio planejamento financeiro e valorize as suas finanças de forma racional e duradoura. O que se deve entender é que a deflação é um processo tão ruim quanto à inflação.  Entender estes conceitos é importante e faz a diferença nos momentos em que as pessoas forem decidir sobre qual a melhor forma de usar o dinheiro que dispõe, não só para encontrar o melhor momento para gastá-lo, quanto para segurá-lo, permitindo fazer uso nas situações imprevisíveis. Para quem tem a possibilidade de poupar dinheiro, certamente poderá realizar projetos futuros ou comprar produtos e serviços a vista e ganhar descontos ou até mesmo ter certa tranqüilidade para situações emergenciais. Nada disso vai deixar as pessoas que possuem alguma reserva financeira isentas dos malefícios dos cenários de crescimento inflacionário ou deflacionário em paz.

A economia é dinâmica e se movimenta em períodos marcados por flutuações que ocorrem em quatro períodos principais: expansão, boom, contração e recessão. Estejamos preparados para vivê-la da melhor forma possível.

 

Artigo de autoria do conselheiro do Corecon-RS e diretor da Associação Comercial de Pelotas (ACP), economista João Carlos Medeiros Madail, publicado no Diário Popular de Pelotas, edição do dia 01/09/22.

Política, Economia e Desenvolvimento Social

A política determina a economia e o desenvolvimento social. Com as necessidades ilimitadas dos seres humanos e a escassez dos fatores de produção, a economia procura responder as indagações seguintes: o que, quanto, como e para quem produzir. Com a política, as opções são determinadas. Em alguns casos, os resultados das escolhas podem ser questionados. Para muitos, os resultados melhores estão com a produção e distribuição da melhor forma possível dos bens e/ou serviços produzidos no país. Entretanto, existem propostas que aceitam a produção e não querem a distribuição, assim como, existem propostas que querem a distribuição sem a capacidade da produção adequada. Logo, o planejamento econômico e a alocação da série de recursos públicos dependem de decisões políticas.

As propostas e as discussões dos orçamentos públicos precisam de prioridades para atendimentos dos habitantes. Gastos de custeio ou investimentos? Gerar emprego ou renda? Aumentar ou diminuir impostos? Agricultura ou Indústria? Investir na educação básica, superior ou profissionalizante? Incentivos à tecnologia, cultura, pesquisa e ao turismo? São algumas das perguntas que os eleitos devem responder através dos debates e decisões nos governos municipais, estaduais e no Governo Federal. Em sequência, a iniciativa privada procura atender seus propósitos, objetivos e metas, gerando empregos, rendas e pagando os impostos e taxas. A política é um variável incontrolável que influencia as opções dos empreendedores e empresários. A insegurança e as ameaças, assim como, as oportunidades apresentadas depois da eleições podem definir as estratégias, táticas e operações da empresas e entidades.

As escolhas democráticas com os votos da população buscam a melhoria da qualidade de vida para todos, com responsabilidade da gestão pública. O desenvolvimento social é a consequência das políticas públicas e das boas gestões públicas e privadas. Um país depende das escolhas dos seus políticos comprometidos com a ética e a sustentabilidade econômica, ambiental e social. Um bom ambiente político e econômico possibilita e garante o investimento privado. Para muitos, os governos devem ser os indutores do desenvolvimento social. Para outros, os governos devem garantir o ambiente que garanta a liberdade econômica e concentrar-se na segurança, infraestrutura, saúde pública. É óbvio que os modelos econômicos são adaptados às disponibilidades de recursos – sistêmicos, humanos, materiais e financeiros, que nem sempre podem atender a todos. Entretanto, o cidadão útil à comunidade, pagador de impostos e eleitor, tem no seu voto a oportunidade e o direito constitucional de realizar a escolha do seu representante político para encontrar a melhor opção. 

Viva a democracia! Convém salientar que todo poder político tem origem nos votos. Portanto, analisar as propostas e as realizações dos candidatos são indispensáveis para a melhoria contínua do Brasil, principalmente para os mais necessitados e para os futuros dos nossos filhos e netos. Responsabilidade, honestidade e ética, não podem faltar. Será? Respeitam-se todas a opiniões contrárias. São reflexões. Podem ser úteis. Pensem nisso.

 

Artigo de autoria do economista Abdon Barretto Filho, mestre em Comunicação Social e presidente da ABF - Comunicação e Marketing, publicado no Jornal Correio do Povo, em 30/08/2022. 

Reflexões sobre dívida contratual: afirmar que a dívida do Estado já foi paga é uma heresia

Este artigo começa por fazer uma diferença entre dívida em contratos e dívida em títulos, sendo a primeira paga, e a segunda, rolada, em sua quase totalidade. 

A dívida da União é, na sua maioria, em títulos, e como tal, a maioria rolada.  A despesa com a dívida em 2021 correspondeu a cerca de dois trilhões de reais, ou 22,6% do PIB, mas que foi rolada por novas operações de crédito de R$ 1,6 trilhão (19% do PIB)  No final, o dispêndio líquido foi de R$ 313 bilhões, ou 3,6% do PIB, na metodologia acima da linha.

A União não teria como pagar esse valor com receita ordinária, quando sua receita tributária, a principal, é pouco acima de 19% do PIB, inferior à despesa referida.  Apesar disso, entidades sindicais e corporativas afirmam que o valor pago de juros foi os 22,6% do PIB, porque isso serve a seus propósitos.

A dívida em contratos, por seu turno, tem ou deveria ter suas prestações pagas na íntegra.  A dívida do Estado do RS, cujo saldo devedor não decresce, deveria ter decrescido, se tivesse sido cumprido o plano de amortização. No entanto, o acordo de refinanciamento de 1998, em vez estabelecer que o pagamento seria o valor das prestações calculadas, estabeleceu que seria paga 13% da receita líquida real, um proxy da receita corrente líquida, que foi reduzido posteriormente. Além disso, colocou dentro desse limite oito dívidas anteriores mais parte da Operação Proes.  Por tudo isso não caiu o saldo devedor.

Toda dívida por contrato é paga mediante um plano de amortização que, se for cumprido, ou seja, se forem pagas integralmente as prestações, o saldo devedor necessariamente cai. Por isso, afirmar que a dívida já está paga é uma heresia. Se houve pagamentos e a dívida continua a crescer foi porque os desembolsos ocorridos não se destinaram à sua amortização, mas ao pagamento de outras dívidas.  A dívida objeto do contrato foi paga somente parcialmente.

Clique aqui para ler o artigo completo!

 

Artigo de autoria do economista Darcy Francisco Carvalho dos Santos, especialista em finanças públicas e conselheiro do Corecon-RS, publicado no site financars.com.br  no dia 25 de agosto de 2022.

Eventos Culturais atraem visitantes

Existe um consenso que os eventos com boas gestões atraem visitantes. Os maiores destinos turísticos utilizam seus respectivos calendários de eventos como estratégias vencedoras nas atrações de fluxos de visitantes.

No caso do Turismo Urbano, a importância do Escritório de Captação de Eventos (Convention Bureau) é destacada desde do século XIX, quando foi criado em 1896, em Detroit –EUA. São trabalhos profissionais que envolvem organizações econômicas com ou sem fins lucrativas com propósitos bem definidos: captar eventos e desenvolver ações no bem receber.
Em algumas cidades existem organizações específicas para a promoção do Destino Turístico (Destination Marketing Organization-D.M.O.), envolvendo a Gestão da Marca da Cidade (Branding), utilizando a Comunicação Integrada e o Marketing de Relacionamento, apoiando a distribuição e comercialização dos atrativos, bens e/ou serviços turísticos.
 
Algumas cidades já alcançaram a excelência na Gestão do fenômeno turístico. Os destaques comprovam as necessidades de Políticas Públicas, parcerias públicas e privadas e profissionalismo. Naturalmente, as empresas e entidades conseguem desenvolver suas ações no mercado, independentes das ideologias.
 
Entretanto, existem algumas Cidades concentradas nas produções de textos e apresentações de consultorias para estruturações de ofertas turísticas. Imaginam, ingenuamente, que os visitantes chegarão naturalmente, sem quaisquer ações mercadológicas e comerciais. Outras Cidades repetem planos que são interrompidos ao gosto de qualquer governante neófito. 
 
Ainda existem Cidades que insistem no eterno potencial, sem diferenciais, sem infraestrutura, sem serviços e sem investimentos. 
 
Para completar o diagnóstico preliminar, existem Cidades que não querem receber visitantes.
 
Em qualquer cenário, observa-se que os eventos culturais locais podem alavancar o desenvolvimento do turismo receptivo. As manifestações culturais, incluindo o folclore, a gastronomia, a história, atrativos culturais, podem ser trabalhadas com profissionalismo nas comunidade e através das parcerias públicas e privadas.
 
O primeiro passo é definir se a Comunidade tem interesse e se existe a sensibilização e conhecimento sobre a sequência indispensável para desenvolver o turismo urbano ou rural: estruturar a oferta; delimitar produtos turísticos sustentáveis; promover e apoiar a comercialização. Caso contrário, os “potenciais atrativos” continuam nos planos aguardando visitantes durante anos e que nunca chegarão.
 
Sem fluxos de visitantes as Cidades não recebem as receitas e nem realizam as trocas qualificadas geradoras de empregos, rendas, impostos e autoestima da comunidade.
 
Será? Respeitam-se todas as opiniões contrárias. São reflexões. Podem ser úteis.
 
Pensem nisso.
 
 
Artigo de autoria do economista Abdon Barretto Filho, mestre em Comunicação Social e presidente da ABF - Comunicação e Marketing, publicado no Jornal online Cidade de Gramado, em 15/08/2022

Dia do Economista e contribuições profissionais

O “Dia do Economista “é comemorado desde 13 de agosto de 1951, através da Lei número 1411 que dispõe sobre a profissão do Economista e as criações do Conselho Federal de Economia, com sede na Capital Federal e os Conselhos Regionais de Economia. 

A história tem registrado a série de contribuições dos Economistas no desenvolvimento econômico, social e ambiental, sempre buscando a formação da sadia mentalidade da técnica econômica nos diversos setores da Economia Nacional.

O profissional Economista realiza estudos, pesquisas, análises, relatórios, pareceres, perÍcias, arbitragens, laudos, certificados e/ou quaisquer outros atos de natureza econômica ou financeira, inclusive por meios de planejamento, implantação, orientação, supervisão ou assistência de trabalho que possa ser realizado no setor público ou privado ou misto. 

Convém salientar que o objetivo da Ciência Econômica é analisar os problemas econômicos e formular soluções para resolvê-los, com o propósito de melhorar a qualidade de vida de todos seres humanos.

Na realidade a Economia é uma ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem empregar recursos produtivos escassos na produção de bens e/ou serviços e distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade, buscando satisfazer necessidades humanas.

É uma árdua tarefa que o Economista está preparado para contribuir e participar da transversalidade com outras ciências na constante busca de um mundo melhor para todos.

É óbvio que existem modelos econômicos determinados pela Políticas Públicas de cada País, Estado, Município, assim como as iniciativas inovadoras ou adaptadas das organizações econômicas com ou sem fins lucrativos.

Em função da escassez de recursos, toda sociedade tem de escolher entre as alternativas de produção e de distribuição dos resultados das atividades produtivas entre vários grupos da sociedade.

Para ser considerado como Economista, é necessária a formação superior em Bacharel em Ciências Econômicas, bem como ser registrado em um dos Conselhos Regionais de Economia no Brasil.

Observa-se o interesse de muitas pessoas sobre a Ciência Econômica que sempre está presente na comunicação mundial.

Quando é possível, os Economistas conseguem alertar as probabilidades positivas ou negativas nas decisões políticas e/ou empresariais, buscando modelos econômicos desde 1776, quando foi publicado o livro A Riqueza das Nações, obra do Adam Smith.

Óbvio que o pensamento econômico está evoluindo, sem ignorar os problemas econômicos fundamentais: o quê e quando produzir; como produzir e para quem produzir.

Infelizmente, ainda existem neófitos despreparados que orientam alguns líderes dos setores públicos ou privados sobre decisões econômicas, gerando consequências nefastas.

Será ? 

Respeitam-se todas as opiniões contrárias. São reflexões. Podem ser úteis. 

Pensem nisso.

Artigo de autoria do economista Abdon Barretto Filho, mestre em Comunicação Social e presidente da ABF - Comunicação e Marketing, publicado no Jornal Cidade de Gramado, em 08/08/2022. 

Mercado das moedas virtuais

O dinheiro foi criado para facilitar as trocas comerciais quando estas se tornaram mais complexas. No Brasil, os primeiros recibos foram emitidos pelo Banco do Brasil em 1810 com o valor preenchido à mão, como é feito com os cheques. Aos poucos, como já aconteciam com as moedas, os governos passaram a controlar a emissão de cédulas de dinheiro para evitar as falsificações e garantir o poder de pagamento. No presente, 28 bancos dominam as finanças no planeta, tornando os Estados reféns do seu poder, mesmo sendo apenas intermediários entre quem emite a moeda e quem tem o direito sobre ela. O sistema bancário atual oferece vários serviços, todos rentáveis para eles, sendo um deles o cartão de crédito, com juros no rotativo que alcançam, até 300% ao ano. São as instituições mais ricas do sistema econômico.

Como alternativa à atual concentração bancária, surgem às moedas virtuais, ou seja, você pode tê-la, mas não põe a mão nelas. O diferencial dessa nova maneira de intermediar negócios financeiros é que eles são descentralizados, ou seja, não tem vínculo com nenhum governo, empresa ou banco. Eles foram pensados para construir um sistema econômico alternativo pelos próprios usuários, com a utilização de tecnologia robusta, denominada blockchain. Trata-se de uma espécie de banco de dados, onde ficam armazenadas todas as informações sobre transações de moeda virtual, chamada “bitcoin”, acessível a todos os usuários. Segundo registros, a idéia do desenvolvimento da tecnologia foi de Satoski Nakamoto em 2009, mas muitos acreditam que surgiu de um conjunto de empresas, mas nada foi confirmado. Para a maioria das pessoas o sistema é complexo e ainda não foi popularizado. Entretanto, nos países desenvolvidos as moedas virtuais já circulam com força entre os investidores, que acreeditam na tecnologia, considerada inovadora. Blockchain, na verdade é uma cadeia de blocos, onde cada bloco é formado por várias informações sobre as diversas transações e possui uma assinatura digital única, chamada de “hast” ou “proof of work”. Essa assinatura funciona como uma impressão digital do bloco e ajuda a dar mais segurança ao processo, já que tudo é criptografado. Embora o “Bitcoin” seja a mais comum das moedas digitais em circulação no mercado há diversas outras e podem ser usadas com a mesma finalidade do dinheiro físico em si. Elas podem servir como meio de troca, facilitando as transações comerciais; reserva de valor, para a preservação do poder de compra no futuro; e ainda como unidade de conta, quando os produtos são precificados e o cálculo econômico é realizado em função delas. Segundo Fernando Ulrich, autor do livro “Bitcoin”, faz uma analogia muito simples: “O que o e-mail fez com a informação, o Bitcoin fará com o dinheiro”.

O tema é ainda novidade no Brasil, mas já mereceu a aprovação de projeto de lei no Senado que visa regulamentar o mercado das criptomoedas. A proposta 4.401/21 traz diretrizes que visam entender a dimensão desse novo ambiente de negócios. Afinal, só no ano de 2021, as criptomoedas movimentaram R$ 215 bilhões na compra e venda das moedas, sem considerar o mercado como método de pagamento, que cresceu na ordem de 6% no último ano. O tema já gerou demanda do Banco Central brasileiro, ao senado, propondo um marco regulatório para o mercado das criptomoedas. A preocupação é válida para evitar fraudes em prestação de serviços ativos virtuais, valores mobiliários ou ativos financeiros, conhecidos como “pirâmide financeira”. Enfim o tema é bastante complexo para ser entendido num espaço curto, mas para quem investe na bolsa e entende a volatilidade dos valores, com a aquisição de criptomoedas não é diferente e vai depender da tolerância dos investidores.

Artigo de autoria do conselheiro do Corecon-RS e diretor da Associação Comercial de Pelotas (ACP), economista João Carlos Medeiros Madail, publicado no Diário Popular de Pelotas, no dia 128/07/2022.

City Marketing e a Economia Criativa

Convém destacar que a Economia é uma ciência que estuda os processos de produção, distribuição, acumulação e consumo de bens e/ou serviços. O conceito de economia engloba a noção de como as sociedades utilizam os recursos para produções de bens e/ou serviços e as formas como são realizadas as distribuições desses entre os indivíduos.

A economia procura equacionar um dos maiores desafios da humanidade que é atender as necessidades ilimitadas dos seres humanos com os recursos limitados do planeta. A ciência econômica tenta explicar os funcionamentos dos sistemas econômicos e as relações com os agentes econômicos (empresas ou pessoas físicas), refletindo sobre os problemas existentes e propondo soluções.

As investigações dos principais problemas econômicos e as tomadas de decisões baseiam-se em quatro questões fundamentais sobre a produção: “O que produzir?”, “Quando produzir?”, “Que quantidade produzir?”, “Para quem produzir?”. A Economia Criativa é o conjunto de ações e atividades relacionadas à cultura, tecnologia, turismo, entre outros conhecimentos, gerando novos negócios com criatividade e usabilidade, resultando aumentos de receitas, empregos, impostos e a melhoria da autoestima da comunidade. A Economia Criativa é aquela que coloca a criatividade como fator central para definir os valores de bens e/ou serviços. Segundo o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), são setores nos quais os valores das produções estão fundamentados nas propriedades intelectuais e em aspectos criativos que geram receitas e impactos nos sistemas econômicos.

O City Marketing – é o Marketing da Cidade, também conhecido como Marketing do Destino é composto de uma série de ações no mercado, destacando todo ou parte do Município, com objetivos de incentivar, qualificar e promover os atrativos geográficos, históricos, culturais, equipamentos e serviços de uma cidade. Portanto, exige planejamento, organização, gestão e avaliações constantes das conquistas, resultados e continuidade de ações. Infelizmente, por falta de compreensão da ciência e arte destacadas na economia e no marketing, alguns Países, Estados e Municípios ainda não desenvolvem trabalhos profissionais para atraírem visitantes – participantes de eventos, investidores e turistas de lazer - que trazem recursos originados em outras cidades.

Outros Destinos aprenderam as combinações entre a economia, marketing e política aplicados às Cidades, à Hospitalidade, aos Eventos e ao Turismo e estão alcançando bons resultados. Os Economistas profissionais que pesquisam, estudam e trabalham com a Economia, nos seus aspectos macroeconômicos, microeconômicos, desenvolvimento social e a sustentabilidade entre a oferta e a demanda, buscam a melhoria da qualidade de vida dos seres humanos. Os Economistas contribuem no Planejamento e na Gestão de Políticas Públicas, evitando-se os desmontes das conquistas anteriores nas Gestões de quatro anos nos Governos: Federal, Estadual e Municipal. Às vezes, os Gestores são neófitos que quando começam aprender as alternativas adequadas são substituídos, dificultando os avanços no desenvolvimento social econômico.

Assim, observa-se falta de continuidade das conquistas em 8, 12, 16 e 20 anos ou mais, voltando as discussões repetidas sobre Posicionamento da Cidade e as aplicações do City Marketing e da Economia Criativa. As organizações econômicas privadas sem ou com fins lucrativas são as grandes prejudicadas pelas repetições de equívocos do setor público. Será? Respeitam-se todas as opiniões contrárias. São reflexões. Podem ser úteis.

 
 
Artigo de autoria do economista Abdon Barretto Filho, mestre em Comunicação Social e presidente da ABF - Comunicação e Marketing, publicado no Site www.peloscaminhosdoriogrande.com.br

 

Pensem nisso.

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