Os desafios no mercado de bens e/ou serviços

Em uma economia de mercado, é a demanda que determina o sucesso ou o fracasso para as empresas e entidades. Atender demanda, aumentar a demanda, diminuir a demanda, adaptar-se à demanda, antecipar-se à demanda ou criar demanda são alguns dos desafios dos gestores em todo o mundo para competir no mercado. A grande mensagem é que, se não existe demanda, é muito difícil manter a oferta de bens e/ou serviços que se produz. Afinal, é perda de tempo e dinheiro produzir bens e/ou serviços que não atendem às demandas. A decisão deve ser racional e buscar alternativas, inclusive para sair do mercado em que se atua. Além disso, o poder da demanda pode indicar necessidades de melhorias, inclusive para que a oferta torne-se adequada. Convém destacar que existem questões básicas indispensáveis para participar da economia de mercado. Produzir o quê? Para quem? Como? Quais as combinações dos fatores de produção que serão utilizados? Quais as ameaças e oportunidades? Quais as necessidades que são atendidas? É frustrante produzir bem /ou serviço que se tem e não é valorizado? As ameaças e as oportunidades continuam enfrentando as variáveis controláveis, exigindo novas visões das demandas e decisões ágeis para atendê-las ou, simplesmente, sair do mercado em que se atua.

O mundo mudou, a demanda mudou, o cliente mudou e os desafios aumentam para viver no competitivo mercado. A história registra iniciativas de ações no mercado realizadas fora do tempo adequado para ser absorvido pela demanda. Assim como ações que iniciaram novos ciclos de vidas nos mercados criando novas demandas e novos mercados. Atualmente, existe uma grande busca por uma série de novos bens e/ou serviços geradores de empregos e rendas, nem sempre com as taxas de sucessos. Logo, salvo melhor juízo, algumas vezes, surgem expectativas que ignoram as conquistas civilizatórias das sociedades organizadas, incluindo a ordem mundial e os papéis dos modelos econômicos, sociais, ambientais e políticos.

Quais as alternativas para enfrentar as novas realidades para viver no século XX!? Quais as adaptações às mudanças climáticas? Aos avanços tecnológicos? E os modelos econômicos continuam os mesmos? Às questões ideológicas? E os modelos políticos? Como entender as desregulamentações dos mercados sem esquecer o aumento da população mundial, a longevidade e a produção de alimentos? Muitas perguntas sem as respostas adequadas que garantam a ordem mundial atual e o bem-estar dos habitantes enquanto a miséria, a pobreza e a corrupção estão presentes e envergonham todas pessoas que querem fazer o bem sem olhar a quem. Mas sejamos otimistas. Sempre. A união de cérebros e boas experiências mundiais deverão salvar os mercados de bens e/ou serviços, incluindo o turismo e a hospitalidade. E, principalmente, o nosso planeta. Será? Respeitam-se todas as opiniões contrárias. São reflexões. Podem ser úteis. Pensem nisso.

 

Artigo de autoria do Mestre em Comunicação Social e Presidente da ABF - Comunicação e Marketing, economista Abdon Barretto Filho, publicado pelo jornal Correio do Povo no dia 7 de junho.

Estado e mercado

É dever constitucional de o Estado brasileiro cuidar da saúde da população, da segurança pública, da educação, ou seja, dos direitos à vida, liberdade, igualdade, segurança e à propriedade, conforme consta na Constituição Federal de 1988.

Na prática, o Estado desenvolve outras atividades, algumas das quais contestadas pela população, que entende que poderiam ser desempenhadas pela iniciativa privada com mais competência. Mesmo assim, o Brasil controla 200 estatais federais, sendo 46 delas gestadas diretamente pela União. Dessas, 37 são empresas públicas, isto é, com capital de propriedade exclusiva da União. Além do mais, o Estado brasileiro também possui o controle direto de seis empresas de economia mista. Os discursos sobre a ineficiência do Estado na administração das empresas públicas sempre estiveram na pauta dos políticos liberais que alegam que a excessiva intervenção do Estado na economia atrapalha o cálculo econômico e a racionalidade empresarial, o que impacta negativamente no progresso da sociedade. Em síntese, os defensores do Estado mínimo são favoráveis a reduzir a atuação do Estado as suas funções básicas.

Por outro lado, aqueles que não concordam com a redução do Estado alegam que os seus defensores representam um seleto grupo de privilegiados que somam apenas 1% da população que concentram mais de 30% de toda a renda nacional, ou, talvez grupos mais reduzidos. 

É admissível que algumas das empresas administradas pelo Estado tenham servido de cabide de empregos políticos e atuado por longo tempo deficitárias, outras, porém, cobiçadas pela iniciativa privada tem proporcionado resultados positivos para o governo e para a população, como no caso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Companhia Nacional de Abastecimento, Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, entre outras.

O Brasil é um país desigual, a maioria da população vive em condições absolutamente precárias, onde mais de 60 milhões vivem abaixo da linha da pobreza e quase 20 milhões já está abaixo da linha da extrema pobreza, situação agravada com a pandemia. Esses argumentos fortalecem a importância das políticas públicas como a melhoria do SUS, da educação, da segurança e não do esvaziamento do Estado e do serviço público. A verdade é que não há exemplos na história ou na experiência internacional que nos permitam associar Estados mínimos com desenvolvimento econômico. Estados bem estruturados que atendem as necessidades básicas da população, em vários aspectos como, de infraestrutura, são os que mais atraem investimentos, exceto investimentos predatórios que só fazem aumentar a pobreza e a miséria por onde andam. Estados sem a distribuição minimamente justa da renda não têm mercado interno, logo, deixam de ser atrativos para os investimentos produtivos.

A defesa intransigente da redução do Estado, portanto, não se justifica no desenvolvimento econômico nem na ampliação dos direitos sociais, mas pode estar associada a outras razões, que nem sempre são claramente expostas, por serem impopulares. Não há dúvida que as políticas públicas significam a garantia de acesso aos direitos à maioria da população, mas, por outro lado, significam redução de espaço para o mercado privado. Se o Estado fosse eficiente na execução de uma educação pública gratuita e de qualidade para todos, tal como nos orienta a constituição Federal, o ensino privado não teria qualquer atrativo para se estabelecer. Se o país tivesse um sistema de saúde público de excelência para toda a população, não haveria tantos planos de saúde privados. E se a Previdência Social fosse transferida para o setor financeiro, como foi proposto na versão original da Reforma da Previdência, o que seria das aposentadorias?

Sempre haverá disputa entre o Estado e o mercado, pois onde o Estado social se fortalece, o mercado perde espaço, e o inverso também é verdadeiro.

Artigo de autoria do conselheiro do Corecon-RS e diretor da Associação Comercial de Pelotas (ACP), economista João Carlos Medeiros Madail, publicado no Diário Popular de Pelotas, edição do dia 02/06/2022.

O domínio de Macron, provavelmente, permanecerá

Introdução

Esse texto tem como objetivo antecipar algumas tendências no cenário eleitoral francês para as eleições legislativas que se realizam em 12 de junho, primeiro turno, e 19 de junho, segundo turno. As eleições legislativas francesas são disputadas por um sistema de eleição majoritária em 566 distritos, que elegem seus representantes em um sistema de 2 turnos, com algumas peculiaridades, distintas portanto do que se adota no Brasil, que podem determinar o resultado: algumas hipóteses menos prováveis do cenário eleitoral francês consideram essas peculiaridades.

De outra parte essas eleições podem marcar 3 diferentes tipos de resultados:

o fim do tradicional dualismo na política francesa entre gaullistas e socialistas, que percorreu todo o espectro político francês desde o final da segunda guerra. De outro modo, um novo sistema partidário nasceu na França nesse entorno de 2020, consolidando-se desde a eleição presidencial de 2017 e, provavelmente, amadurecendo neste 2022;
uma consolidação maior do Agrupamento Nacional, antiga Frente Nacional, que materializa resultados crescentes e cada vez mais traduzidos em cadeiras parlamentares, mesmo sob um sistema majoritário de preenchimento do legislativo;
A provável consolidação da maioria parlamentar junto ao presidente Macron. Como consequência, é possível pensar em um segundo mandato com relativa tranquilidade e evitando um governo “de coabitação” com tendências de esquerda.
A regra

O sistema majoritário em 2 turnos para as eleições legislativas na França, também chamado ballotage, considera não apenas os votos recebidos pelos candidatos, mas também o seu percentual segundo a participação dos eleitores inscritos. Ou seja, não basta considerar a porcentagem do total dos votantes, mas também o total relativo ao número de eleitores alistados e em condições de manifestar potencial contrariedade. Reconhece, portanto, a hipótese de que a abstenção seja um desejo de demonstrar insatisfação para todos os candidatos.

Assim, define-se um vencedor em 3 situações: a primeira em caso de um dos candidatos obter mais da metade dos votos, 50% a partir de uma participação de pelo menos um quarto dos eleitores, 25%, ou 12,5% (50% vezes 25%) de votos do total de inscritos. A segunda, uma definição a partir de dois candidatos mais votados, caso nenhum deles tenha obtido 50% dos votos no primeiro turno em condições de 25% dos votos. Há ainda uma terceira definição possível, envolvendo 3 ou mais candidatos, quando se classificam ao segundo turno todos os candidatos com 12,5% dos votos em relação ao número de eleitores inscritos, elegendo-se o candidato com maior número de votos no segundo turno, mesmo que sem maioria de 50% entre os votantes. Essa última situação tendeu ao desaparecimento nas últimas eleições legislativas, ponderando que pode surgir apenas com combinação de alta participação dos eleitores e com poucas candidaturas relevantes, que no sistema multipartidário francês é uma situação rara. Finalmente, outra característica relevante é fato de que o segundo turno ocorre apenas 1 semana após a realização da rodada inicial, fazendo com que a escolha em uma segunda rodada seja automática, para os eleitores de candidatos eliminados, em torno de ideologias e alianças nacionais.

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Texto de autoria do economista Gustavo Inácio de Moraes, professor da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do RS (Pucrs), publicado no site www.inteligenciapolicitica.com.br

As empresas e a sociedade estão mudando

Com quase 180 anos de existência, a respeitável revista The Economist tem feito algumas considerações sobre os prováveis rumos das economias e das sociedades. E o faz as dirigindo às empresas e aos costumes, tendo em conta nova era emoldurada pelos instrumentos da informática.

A consagrada revista, editada em Londres, chama a atenção para a necessidade de as empresas, em geral, investirem, pelo menos, 10% dos seus custos em novas tecnologias como medida de sobrevivência nesse mundo em mudanças.

Observa que, como nunca, o empreendedorismo empresarial, será condição para a evolução das empresas - novas e existentes.

Por igual, a credibilidade e a transparência serão essenciais para o êxito empresarial.

Plataformas de informática imperarão – incontáveis, uma em cada canto, assim afastando atuais medidas isoladas. Além do que, medirão a produtividade.

Produtos de consumo suntuosos serão aos poucos substituídos por produtos frugais (sai a gravata, entra o jeans). O consumo das populações se torna mais simples.

O comércio online será maior do que o presencial.

As universidades formarão técnicos para o mercado, diferente do que hoje ocorre.

Viagens, congressos e reuniões de trabalho serão predominantemente substituídos por sistemas online. O turismo de trabalho tende a desaparecer.

As consultas médicas e as teleconferências serão normais. Os testes rápidos de saúde serão predominantes na medicina.

A higiênica pessoal será um costume generalizado. Por igual, a produção e o manuseio de adequado de alimentos.

Diante dessas e de tantas outras mudanças, não se lhe escapa de observar que possa haver demanda por moradias em cidades mais afastadas dos grandes centros urbanos. A vez das pequenas comunidades ligadas por online.

Ademais, haverá muita atenção aos problemas de meio ambiente.

Acrescenta que educação, saúde e segurança se tornarão, mais do que nunca, essenciais para o fortalecimento da classe média das sociedades – sem o que as democracias ficarão irremediavelmente comprometidas. Esses três setores serão predominantes na vida política, como pacíficos mandamentos sociais.

Artigo de autoria do economista Guilherme Socias Villela, ex-professor da UFRGS, ex-prefeito de Porto Alegre e Economista Destaque Corecon-RS 2019, publicado no Jornal do Comércio, dia 23 de maio.

A contrarreforma começou!


Durante décadas os estados formaram déficits, uns maiores, outros menores, dando origem a grandes dívidas, que agora alguns estão tentando renegociá-las, alguns por meio do Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

Em 2021, houve uma grande redução desses déficits em todos os estados, fruto de um crescimento extraordinário da arrecadação e, basicamente, do congelamento das folhas de pagamento imposto pela Lei federal n° 173/2020, condição para o que os entes subnacionais recebessem ajuda federal para o enfrentamento da covid-19.

Nos últimos anos foram feitas grandes reformas, sendo a principal a da previdência, mesmo desidratada, e a administrativa que, no decorrer do tempo provocarão para as finanças os mesmos efeitos da citada lei federal, que cessaram no final do ano passado.

Nossos parlamentares não entenderam que o crescimento vegetativo da folha de pagamento foi o que sempre anulou o crescimento da receita, impedindo a eliminação dos déficits. E o principal fator desse crescimento eram as vantagens funcionais temporais que eram concedidas, indiferentemente para todos, dedicados ou não, às tarefas pertinentes.

Ignorando a tudo isso, a imprensa está noticiando que está para ser votada no Congresso Nacional a PEC 63, para instituir a volta dessas vantagens para o Judiciário e Ministério Público, exatamente os que abriram mão delas em troca de subsídios, onde elas não incidem. Isso deverá provocar um aumento de 35% no fim de carreira nos seus ganhos básicos.

Quando se cria benefícios a quem já é melhor remunerado está-se abrindo a torneira para os demais servidores, anulando os principais efeitos da reforma.

São essas coisas que tornam a dívida impagável, porque não se cria superávit primário para que ela seja sustentável. Com isso, continuaremos sem investimentos e com uma educação de péssima qualidade. Agindo assim não adianta mesmo aderir ao RRF, porque não conseguiremos pagar as prestações.

Se aprovada essa PEC, podemos dizer que a contrarreforma começou.

Artigo de autoria do economista Darcy Francisco Carvalho dos Santos, especialista em finanças públicas e conselheiro do Corecon-RS, publicado no Jornal Zero Hora, edição de 25 de maio de 2022.

 

Petrobras rica, povo pobre

Registros não muito distantes que datam 1946, nos informam a convicção dos brasileiros sobre a importância do país explorar as suas riquezas petrolíferas em prol do desenvolvimento do país, até então dependente dos combustíveis e gás natural, importados, desde os tempos do regime imperial.

Em conseqüência da pressão popular para que o país explorasse esta riqueza, no dia 3 de outubro de 1953, no segundo governo de Getúlio Vargas, foi aprovado, pela Lei Federal n* 2004 a criação da Petrobras, a maior petrolífera do Brasil. Os brasileiros que participaram ativamente do movimento para a criação da empresa não tinham dúvida sobre a importância de o país extrair e processar o seu petróleo e com isso não depender de importações cujo valor oscilava nos períodos críticos das guerras.

O Brasil, pela sua extensão territorial e opção pelo transporte rodoviário para distribuir as suas riquezas, consome, no presente, 2,5 milhões de barris por dia de petróleo e produz três milhões. Mesmo produzindo mais do que consome, depende da importação de 300 mil barris por dia visto que, as refinarias brasileiras, obsoletas, não conseguem produzir o suficiente para abastecer o mercado interno. Por se tratar de uma fonte indispensável de energia para diversos usos humanos não está disponível para todos os países que, na sua maioria precisam importar. Além do mais os estoques naturais limitados no planeta influenciam o preço dos produtos, empobrecendo quem necessita comprá-lo e enriquecendo quem produz e exporta.

No passado os brasileiros se orgulhavam das descobertas de reservas de petróleo no país, ocasião em que o Presidente Getulio Vargas pronunciou a famosa frase “O petróleo é nosso”. Se estivesse vivo hoje Getúlio não repetiria a frase ou talvez modificasse para “A Petrobras não é nossa, mas dos acionistas”, os maiores beneficiários dos atuais lucros da empresa. Nos recentes ataques da Lava Jato à Petrobras, a empresa quase faliu e quem está pagando o prejuízo são os brasileiros, mesmo que, em 2021, a estatal tenha recuperado mais de R$ 1,2 bilhão na condição de vítima dos crimes de investigação. O que os brasileiros não conseguem entender é que a empresa é brasileira, extrai e refina o petróleo no Brasil, no momento é superavitária, pois gerou no primeiro trimestre de 2022 R$ 44,5 bilhões (US$ 9,405), resultado maior que o obtido no mesmo período de 2021, que alcançou R$ 1,2 bilhão, lucro atribuído a alta do petróleo no mundo. Este resultado é quase o dobro dos US$ 5,480 bilhões registrados pela americana ExxonMobil, a maior petroleira do mundo e superior a empresa chinesa Petrochina que lucrou, no mesmo período US$ 6,161 bilhões. Além do mais remunera salário de R$ 260 mil mensais para o seu presidente, distribuiu lucros de R$ 11,9 bilhões para 24,6% dos acionistas estrangeiros, R$ 8,3 bilhões (17,1%) para empresas e pessoas físicas; R$ 3 bilhões (7,9%) para o BNDES e outros investidores.

A decepção do povo brasileiro com a atual política de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras parece estar no limite da tolerância, uma vez que toda a população está pagando com o pouco que ainda lhe resta e empobrecendo com a inflação que os preços dos combustíveis provocam em toda a cadeia de produção e circulação das mercadorias.

A ameaça do Presidente Bolsonaro de intervir na política de preços da Petrobras causou certa decepção em Wall Street, afinal quem comanda a economia mundial é o mercado financeiro, defensor do liberalismo e do lucro a qualquer preço. Para os especuladores financeiros internacionais, ou gestores de fundo NY, o reajuste de preços da Petrobras tende a se manter, mesmo que desagrade uma população ou várias populações, o mais importante para eles é o equilíbrio e a segurança dos acionistas que aplicam seus recursos num mercado promissor para investir.

Artigo de autoria do conselheiro do Corecon-RS e diretor da Associação Comercial de Pelotas (ACP), economista João Carlos Medeiros Madail, publicado no Diário Popular de Pelotas, edição do dia 25/05/2022.

 

Tragédia Fiscal


“Dinheiro não dá em árvore”, mas suponha que ele dê. Um dia, você encontra uma árvore cujas folhas são notas de 100 reais. Se você arrancar folhas demais, ela morrerá. Quantas você arrancaria?

À primeira vista, faz sentido deixar folhas suficientes para que a árvore cresça. Assim, você consegue coletar mais dinheiro no mês seguinte. No entanto, logo você percebe que, se deixar folhas sobrando, mais tarde outras pessoas também podem retirá-las e talvez a árvore não sobreviva até o próximo mês. Logo, faz sentido você tirar mais folhas agora. E esse mesmo raciocínio vale para as demais pessoas que passarão por aquele caminho. O resultado é conhecido e trágico: a árvore morre.

O orçamento público gaúcho é como uma árvore ou uma grande pilha de dinheiro que não pertence a ninguém em particular, exceto talvez a entes abstratos como “a sociedade gaúcha”. Assim como na história da árvore, cada pessoa é um grupo de interesse que gostaria de ter um pouco desse dinheiro para si: Funcionários públicos em busca de aumento e novos concursos ou empresários conectados em busca de benefícios fiscais para seu setor, por exemplo.

O ótimo para os gaúchos seria que a pilha de dinheiro pública fosse gerida com parcimônia. No entanto, há um problema de coordenação. Se nenhuma das partes parar de pleitear recursos, nenhuma das partes tem incentivo para parar. E pior: se você é uma das partes e sabe que todas irão parar, então o seu incentivo é não parar, afinal, o orçamento público pode atender “apenas a sua demanda, não?”.

Como resultado, ninguém colabora com o ajuste fiscal por muito tempo. É o caso do Rio Grande do Sul. Os esforços fiscais são feitos quando o estado já está na UTI e são abandonados assim que ele começa a apresentar sinais de estabilidade. A coordenação é tênue e efêmera. A solução do problema deve começar com regras fiscais que limitam gasto, mas não só isso. Governos são feitos com pessoas de carne e osso que precisam mais do que chicotes e cenouras institucionais. Precisam estar inseridas em uma cultura de responsabilidade fiscal. Aí está o adubo de nossa árvore.

Artigo de autoria do economista Guilherme Stein, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e conselheiro do Corecon-RS, publicado na edição de sábado, dia 20 de maio de 2022, no Jornal Zero Hora.

Os 50 anos do Modelo de Grossman

Em 2022 comemoramos os 50 anos da publicação do modelo seminal sobre a demanda por saúde formulado por Michael Grossman em artigo intitulado “On the Concept of Health Capital and the Demand for Health”. O artigo se constitui em um dos mais importantes, influentes e elegantes estudos, em termos teóricos, com várias implicações relativas às políticas públicas na área de Economia da Saúde.

O modelo desenvolvido por Grossman durante seu doutorado na Universidade de Columbia foi fortemente influenciado pelos trabalhos de seu orientador, Gary Becker (futuro ganhador do Prêmio Nobel de Economia, 1992), referentes à importância da família na produção de bens e do conceito de capital humano. Na realidade, foi Gary Becker que lhe sugeriu o tema de seu futuro trabalho. Mas, como às vezes acontece durante as orientações de mestrado e doutorado, Becker o encorajou e estimulou que ampliasse a pesquisa de sua tese para uma análise do ponto de vista tanto teórico como empírico sobre a demanda por saúde. Surge, assim, um dos mais importantes e seminais trabalhos sobre Economia da Saúde.

No modelo de Grossman, como veremos com mais detalhes a seguir, os indivíduos, em alguma medida, escolhem seus níveis de saúde tal como escolhem seu nível de consumo por outras mercadorias, sendo que variáveis como idade e escolaridade afetam a demanda por saúde e determinam o seu “preço”. Quando ele, de modo realista, passa a tratar da produção da saúde, é assumido que os cuidados médicos são um dos insumos usados na nessa produção, mas não o único. Ele questiona os fatores que poderiam afetar a eficiência e pelos quais os indivíduos e famílias produzem saúde e apresenta evidências, indicando que, por exemplo, a escolaridade poderia ser um desses fatores.

A inovação teórica introduzida pelo modelo de Grossman foi a de tratar a saúde como um processo de produção conjunta no qual são requeridos a contribuição dos indivíduos, por meio de seu tempo, e o consumo de bens ou serviços apropriados, denominados cuidados médicos (medicamentos, exames, procedimentos médicos, de enfermagem, de nutricionistas, profissionais de educação física, dentistas, farmacêuticos, etc.). Segundo ele, os cuidados médicos são um produto intermediário, um fator produtivo adquirido pelos indivíduos no mercado para produzir saúde. O outro fator produtivo essencial é o tempo dedicado pelo indivíduo a essa produção de saúde (em cuidados com alimentação e dieta equilibrada, exercícios físicos, sono, saúde mental, consumo de álcool e fumo, entre outras).

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Artigo de autoria do professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, economista Giácomo Balbinotto Neto, publicado no Jornal da UFRGS.

Inteligência financeira: o caminho para o crescimento feminino vai além da educação financeira

Vivemos em uma sociedade que valoriza o poder masculino em detrimento do feminino. Os direitos das mulheres ainda são recentes. Há menos de 60 anos as mulheres podem trabalhar livremente no Brasil - até 1962 elas precisavam de autorização do pai ou do marido para trabalhar fora de casa. Além disto, somente a última Constituição Brasileira, a de 1988, reconheceu a igualdade de gênero entre homens e mulheres.

Apesar dos avanços nos últimos anos, como o crescimento da presença feminina no ensino e no mercado de trabalho e a redução de diferenças salariais entre homens e mulheres (de 30% para 22%), as mulheres ainda precisam dos esforços extras para demonstrar capacidade e conquistar espaços.

O fato é que para as mulheresm além de educação, é preciso também ação. Pensar e agir de maneira estratégica. Trazendo isto para a vida financeira, além de conhecimentos, as mulheres precisam, sobretudo, entender e praticar ainda mais a diferença entre educação financeira e inteligência financeira, visto que o conhecimento só traz resultados quando é colocado em prática. 

A educação financeira é o processo de aprendizado sobre finanças, enquanto a inteligência financeira pressupõe agir de maneira inteligente com o dinheiro. Desta forma, a inteligência financeira é composta por ações e comportamentos com base nos conhecimentos adquiridos na educação financeira.

A inteligência financeira está diretamente relacionada à inteligência emocional, visto que a recente economia comportamental demonstra que o comportamento financeiro não é totalmente racional, como se acreditava, e é influenciado por nossas emoções, podendo ser, algumas vezes, mais emocional do que racional.

Artigo, de autoria da economista Dirlene Silva (CEO na DS Estratégias&Inteligência e Linkedin Top Voices 2020), publicado na revista "Economistas", do Cofecon, edição Nº 43 - janeiro a março de 2022.

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Inovações tecnológicas na vida das pessoas

A tecnologia está presente nas relações humanas, principalmente no que se refere à comunicação nas redes sociais, seja nos negócios ou nas facilidades do cotidiano de cada um. Há total consenso sobre as comodidades que os avanços tecnológicos têm proporcionado a todos que dele se valem. Tudo começou com o advento da internet que conjuga a tecnologia dos computadores, criada nos anos 60, mas popularizada na década de 90. A partir daí, em 1983 foram comercializados os primeiros telefones celulares que costumo afirmar ser a tecnologia mais democrática entre tantas outras, pois está à disposição de todos independente da classe social ou financeira.

Nos últimos dez ou quinze anos, o mundo tem experimentado mudanças radicais. Com os avanços da tecnologia e da ciência, muitos processos foram modificados na vida do ser humano: as comunicações, as atividades realizadas em casa, o ensino nas escolas e faculdades e outros, têm causado impactos importantes na economia e nos negócios. Essas tendências estão determinando um novo ritmo no mercado de trabalho. Muitos profissionais e pessoas comuns terão que se adaptar às novas exigências impostas pelas tecnologias e, possivelmente, algumas profissões desaparecerão e os usuários que não dominarem as inovações, em função da dificuldade em acessá-la ficarão fora do processo. O avanço nas novas criações tem sido mais rápido do que se imaginava no passado e quando se admite dominar um sistema, outro mais avançado já está a nossa disposição.

A grande inovação tecnológica popular se deu com os smartphones, disponibilizados no final da década de 1990. Segundo a consultoria Newzoo, o Brasil tem aproximadamente 109 milhões de usuários de smartphones, o que corresponde a mais da metade da população. Informações em sua base de dados, a TeleGeography afirma que, em todo mundo já são 7,1 bilhões de linhas móveis, para uma população de 7,3 bilhões de pessoas no planeta.

O grande salto no desenvolvimento das inovações tecnológicas tem se dado por meio dos Startups, empresas formadas em geral por jovens que dominam a tecnologia da inovação, dispostos a criar novos conceitos e soluções para o público, desafiando modelos já existentes, mas com roupagem tecnológica inovadora em termos de produtos e serviços. A ABStartups, Associação Brasileira de Startups estima que atuem, no presente, pelo menos 6 mil startups e mais de 62 mil empreendedores no Brasil. Esses grupos de pessoas jovens pensantes, que tem como objetivo oferecer alternativas inovadoras para necessidades que exigem deslocamentos ao local desejado como transações bancários, compras no país ou no exterior, reservas diversas para viagens, leitura de jornais e livros por meio digital, ou seja, comodidades que só poderão ocorrer se estivermos conectados nas redes sociais.

Outros tantos benefícios, já estão a nossa disposição, seja na criação de relações pessoais ou públicas de negócios que facilitam o dia a dia, sem desgaste físico ou financeiro podem, também, serem acessados a qualquer hora. O certo é que as redes sociais, resultado dos avanços da tecnologia continuarão crescendo e oferecendo vantagens para empresários e consumidores. As chamadas redes sociais corporativas, um espaço que surge para criar um ambiente de sociabilidade entre pessoas e empresas, estão à disposição de empresários e consumidores oferecendo produtos e serviços numa maneira prática, próxima, com certa visibilidade, para as pessoas ligadas no processo. Enquanto pestanejamos, uma nova tecnologia nos é disponibilizada, com amplitude de comunicação nacional ou internacional instantânea. Para as empresas e negócios se tornaram essencial destacar serviços e diferenciais, diretamente aos interessados no menor tempo.

 

Artigo de autoria do conselheiro do Corecon-RS e diretor da Associação Comercial de Pelotas (ACP), economista João Carlos Medeiros Madail, publicado no Diário Popular de Pelotas, edição do dia 28/04/2022.

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