Palestrante
do Seminário do Corecon/RS apresenta programa “Primeiro Imóvel”
O cenário brasileiro e gaúcho para a indústria da construção, em uma
perspectiva até o ano de 2030, e o rompimento do marasmo do setor que durou
até o ano de 2006, foram questões abordadas pelo conselheiro do Corecon/RS e
economista do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio
Grande do Sul (Sinduscon-RS), Marco Túlio Kalil Ferreyro, na quinta edição
dos seminários do Corecon/RS. A palestra, que teve como tema central o
“Cenário macroeconômico e a indústria da construção: um salto nas próximas
décadas”, ocorreu ontem, 9 de setembro, no Grande Hotel, em Porto Alegre.
O presidente do Corecon/RS, Ario
Zimmermann, ressaltou, na abertura da palestra, a mudança de perfil dos
economistas, que estão conquistando mais respeito e credibilidade por parte
da sociedade. Ressaltou que o mercado de trabalho, principalmente a
iniciativa privada, tem procurado mais por esses profissionais. O presidente
agradeceu a presença dos colegas e jornalistas, lembrando que o próximo
seminário ocorrerá no dia 14 de outubro.

O palestrante
Marco Tulio Kalil Ferreyro e o presidente do Corecon/RS, Ario Zimmermann,
durante evento que abordou a indústria da construção
Estabilidade
monetária foi decisiva para o setor
Com uma experiência de
aproximadamente 15 anos de atuação no Sinduscon, o economista Marco Túlio
Kalil Ferreyro destacou, na ocasião, que o atual contexto sócio-econômico se
vislumbra como uma boa oportunidade de movimentar a cadeia produtiva
imobiliária. Ele alertou que o setor está rompendo com um marasmo que durou
até o ano de 2006. “De 2007 para cá estamos experimentando as condições de
crescimento de um PIB mais robusto”, disse o economista.
Para Túlio a implementação do
Plano Real e a conseqüente consolidação da estabilidade monetária foram
decisivas para o setor que passou a contar com a previsibilidade, associada
a uma grande janela de oportunidade demográfica, que deverá perdurar nos
próximos 20, 30 anos, visto que nesse período, o país terá proporcionalmente
um contingente populacional maior de pessoas em idade produtiva. “Quando o
PIB de um país cresce com taxas mais robustas e a população se mantém
estável em termos numéricos, a economia ganha mais dinamismo. Resultado:
mais empregos e maior renda”.
Neste novo cenário, o
economista apontou mudanças na tendência de imóveis decorrente de uma
transformação, principalmente no perfil da mulher que domina o mercado de
trabalho e opta por ter um número menor de filhos. Com isso, os imóveis
modernos apresentam quartos menores e espaços de lazer mais amplos.
Marco Tulio enfatizou que a
previsão para 2030 é de que o Brasil tenha 233 milhões de habitantes e uma
estimativa de 93 milhões de domicílios. “A necessidade de suprir essa
demanda movimentará a construção civil que poderá usufruir de crédito farto
se o ambiente macroeconômico continuar a apresentar um bom comportamento de
duas variáveis fundamentais: inflação baixa sob controle e juros baixos,
visto que juro altos é estricnina para o setor da construção.
O economista evidenciou, ainda,
um dos programas do Sinduscon “Primeiro Imóvel”, em elaboração final. Ele
ressaltou que o objetivo é atender uma clientela mais jovem, que, por ser
mais nova, não dispõe ainda de uma poupança para dar entrada num imóvel,
cujo programa propõe financiamento de 100% do valor. Outra proposta do
Sinduscon-RS é a de permitir a dedução no IR da pessoa física da
integralidade ou parte dos juros pagos no financiamento imobiliário. “A
União deixa de arrecadar num primeiro momento, mas arrecada num segundo
momento juntamente com as demais esferas estadual e municipal, devido a
movimentação de toda cadeia produtiva da indústria da construção, gerando
empregos, renda e impostos”, alertou o economista. Ele falou também da PEC
285/08 que prevê a criação de um fundo com recursos da União (2% da
arrecadação), dos Estados e dos municípios (cada um 1% da arrecadação
própria), cujo objetivo é o de erradicar o déficit habitacional (que
atualmente remonta a 7,9 milhões de moradias, dos quais cerca de 90%
concentra-se nas famílias cuja renda mensal é inferior a 5 salários mínimos
mensais), em 30 anos.
O objetivo da série de seminários, promovidos pelo Corecon/RS, com o apoio
do Banrisul, é oportunizar aos economistas, estudantes e sociedade o debate
de fatos que contribuem para contextualizar a conjuntura econômica. Os
eventos, antecedidos por café da manhã, são realizados sempre na segunda
terça-feira de cada mês.

Participaram do Seminário economistas,
jornalistas e profissionais de outras áreas