Notícias CORECON/RS - Ano IV - 37ª Edição - 02 de junho/2009

Avaliação dos Cursos de Economia e crise mundial são temas de Encontro CORECON/RS

 

A atual crise financeira é decorrente do processo de desregulação dos mercados e financeirização da riqueza em curso, principalmente, a partir dos anos de 1990. A afirmação é do economista e professor da UFRGS Fernando Ferrari Filho que participou do XXXII Encontro dos Cursos de Ciências Econômicas do Rio Grande do Sul, realizado na sexta-feira, dia 29 de maio, na Universidade de Caxias do Sul (UCS). O evento, que teve como objetivo o debate sobre a valorização, o reconhecimento do significado da profissão do economista e, sobretudo, a busca de alternativas de trabalho frente à concorrência do mercado e o surgimento de novas funções, foi promovido pelo Conselho Regional de Economia do RS e co-promovido pela UCS.

Constou também na programação o painel “Quais as perspectivas dos cursos de economia? Diagnósticos e soluções” com a participação de diretores e Coordenadores dos Cursos de Economia, e, ainda, um Encontro dos Diretórios Acadêmicos gaúchos. Um público de, aproximadamente, 150 pessoas, entre conselheiros do CORECON/RS, professores, coordenadores de Curso de Ciências Econômicas e alunos, participou da 32ª edição do Encontro.

 

 

Abertura do evento lembra 50 anos do Curso de Economia da UCS

 

 

 

Maria Carolina, Isidoro, Machado e Jacqueline participaram da cerimônia de abertura do Encontro

 

Participaram da cerimônia de abertura do Encontro, o presidente do CORECON/RS, José Luiz Amaral Machado; o reitor da UCS; Isidoro Zorzi; a diretora da Faculdade de Ciências Econômicas da UCS, Maria Carolina Gullo, e a coordenadora do Curso de Ciências Econômicas, Jacqueline Maria Corá.

O presidente Machado agradeceu à UCS pela acolhida ao evento. Reafirmou que esta iniciativa é uma ação conjunta do CORECON/RS e das universidades visando manter sempre viva a reflexão, a avaliação e a troca de experiências na formação dos economistas. Machado ressaltou a participação do Conselho em eventos e atos procurando sempre valorizar, promover, divulgar e estimular a demanda pelo profissional economista. Fez referência às ações de parcerias com órgãos públicos e entidades empresariais como a Caixa RS, BRDE, Garantia RS, Apex-Brasil, Instituto Evaldo Lodi da FIERGS, entre outros. Destacou, ainda, a Gincana de Economia, em que além dos tradicionais prêmios, deverão ser agregados outros, podendo ser estágio remunerado e oportunidade de participação dos vencedores em missões empresariais internacionais. Esta iniciativa é objeto de um convênio em fase de concepção entre CORECON/RS e ApexBrasil.

As comemorações do cinquentenário do Curso de Ciências Econômicas foram destacadas pela professora Carolina Gullo. Ela ressaltou que a UCS sediou o primeiro Encontro realizado no interior, em 2001, quando o CORECON tornou o evento itinerante e que é uma honra receber o mesmo evento no ano do cinquentenário. A economista evidenciou a importância do curso de economia, refletindo que este influenciou o desenvolvimento da cidade, visto que muitos diretores de grandes empresas locais foram formados na UCS.

O reitor Isidoro Zorzi destacou a importância do Curso de Economia e que é um dos primeiros criados pela UCS. Lastimou a situação difícil enfrentada pelas Instituições de Ensino Superior com Cursos de Economia. “Este é um momento para refletir sobre os rumos dos cursos e repensar os currículos”. O reitor expressou o desejo da UCS que os cursos de economia voltem a ter o mesmo status que tinham há 20 anos.

 

Futuro dos Cursos de Economia

 

 

 Representaram os Cursos de Economia, os professores Ario, Judite, Alexandre e Jacqueline

 

O painel “Quais as perspectivas dos cursos de economia? Diagnósticos e soluções” foi integrado pelos professores Ario Zimmermannm, da UFRGS, Judite Sanson de Bem, Coordenadora do Curso na Unilasalle,  Alexandre Reis, Coordenador de Curso da Unifra, e Jacqueline Maria Corá,.coordenadora do Curso de Ciências Econômicas.

 

A professora Jacqueline falou sobre o grande desafio dos cursos em conciliar o interesse o ensino acadêmico com a prática profissional. Ario Zimmermann ressaltou que enquanto os cursos não apresentaram grandes mudanças em currículos, o mercado de trabalho evolui bastante. Para ele, esta questão é enfrentada estudando mais e primando pela formação teórica, importante para que os economistas encontrem boas oportunidades. Zimmermann afirmou que existem cada vez mais oportunidades para a inserção do economista no mercado do setor privado (consultoria, auditoria, análise) e que muitas oportunidades estão sendo prejudicadas e aproveitadas por profissionais de outras áreas. Ario destaca que “somos um grupo menor, mas somos diferenciados. Temos que preservar e qualificar o que nos diferencia”.

Judite Sanson de Bem avaliou que existe uma dificuldade dos alunos em compreender a complexidade das ciências econômicas e há uma ansiedade de colocação no mercado de trabalho. Lembrou do desafio de adequar a realidade conjuntural e estrutural dos cursos ao aluno que trabalha o dia interior e estuda a noite. “É preciso estar atento para observar estas realidades”.

Alexandre destacou que a economia é uma ciência e terá que seguir regras científicas. Ele evidencia que não se pode dispensar o referencial teórico, mas sim utilizar uma linguagem mais clara a usual, com os alunos e com a sociedade. “É uma falha acadêmica não conseguir fazer esse diálogo com a sociedade”.

A partir dos debates, os participantes sugeriram a criação de um grupo de estudo para discutir a formação profissional em conexão com o mercado de trabalho. A formalização deste grupo ocorrerá na medida que forem realizados contatos entre as instituições interessadas.

 

Ferrari: “A crise terá repercussões na economia mundial nos próximos 2 ou 3 anos

 

 

 Ferrari destaca que a ação estatal é fundamental para remediar e prevenir futuras crises

 

Fernando Ferrari Filho apresentou a palestra “A ‘desconstrução’ do pensamento econômico perante a crise de 2008/2009”.

Sobre a crise financeira global, Ferrari, que acabou afetando a economia real e originando a recessão. O economista destacou que as teorias de J. M. Keynes e H. Minsky são as mais adequadas para explicar a crise e suas repercussões e também que a solução passa, necessariamente, por políticas macroeconômicas de cunho keynesiano.

O tempo de duração da crise, alertou o palestrante, dependerá do grau de intervenção das autoridades econômicas, isto é, políticas contra-cíclicas, fiscal e monetárias. Ele evidencia que já foram tomadas medidas, como redução drástica de taxa básica de juros (ex.: FED = 0,25%, Banco da Inglaterra = 0,5%, Banco do Japão = 0,0% - ao ano) e injeção de cerca de US$ 10 trilhões pelos bancos centrais e tesouros nacionais. No Brasil, redução de alíquotas de IPI e IR para pessoa física, ampliação do investimento do PAC e flexibilidade do superávit fiscal (3,8% para 2,5%). Neste caso, para o economista, falta uma redução mais abrupta da Selic. “A despeito dessas medidas, há um consenso de que a crise terá repercussões na economia mundial nos próximos 2 ou 3 anos”.

A questão mais preocupante no atual momento é que caminhos tomar para remediar e prevenir futuras crises. Fernando Ferrari destaca algumas possibilidades, como a regulação financeira, a ação estatal (políticas econômicas), a coordenação global entre as diferentes políticas nacionais (fiscal, monetária e cambial) e a reestruturação do Sistema Monetário Internacional com a criação de uma moeda de reserva universal e de um órgão jurídico-institucional supranacional.

 

 Aproximadamente 150 pessoas participaram dos painéis

 

 

 

 

 

 

 

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