Avaliação dos Cursos de Economia e crise mundial são temas de
Encontro CORECON/RS
A atual
crise financeira é decorrente do processo de desregulação dos
mercados e financeirização da riqueza em curso, principalmente, a
partir dos anos de 1990. A afirmação é do economista e professor da UFRGS
Fernando Ferrari Filho que participou do XXXII Encontro dos Cursos de
Ciências Econômicas do Rio Grande do Sul, realizado na sexta-feira, dia 29
de maio, na Universidade de Caxias do Sul (UCS). O evento, que teve como
objetivo o debate sobre a valorização, o reconhecimento do significado da
profissão do economista e, sobretudo, a busca de alternativas de trabalho
frente à concorrência do mercado e o surgimento de novas funções, foi
promovido pelo Conselho Regional de Economia do RS e co-promovido pela UCS.
Constou
também na programação o painel “Quais as perspectivas dos cursos de
economia? Diagnósticos e soluções” com a participação de diretores e
Coordenadores dos Cursos de Economia, e, ainda, um Encontro dos Diretórios
Acadêmicos gaúchos. Um público de, aproximadamente, 150 pessoas, entre
conselheiros do CORECON/RS, professores, coordenadores de Curso de
Ciências Econômicas e alunos, participou da 32ª edição do Encontro.
Abertura do evento lembra 50 anos do Curso de Economia da UCS

Maria Carolina,
Isidoro, Machado e Jacqueline participaram da cerimônia de abertura do
Encontro
Participaram
da cerimônia de abertura do Encontro, o presidente do CORECON/RS, José
Luiz Amaral Machado; o reitor da UCS; Isidoro Zorzi; a diretora da
Faculdade de Ciências Econômicas da UCS, Maria Carolina Gullo, e a
coordenadora do Curso de Ciências Econômicas, Jacqueline Maria Corá.
O presidente
Machado agradeceu à UCS pela acolhida ao evento. Reafirmou que esta
iniciativa é uma ação conjunta do CORECON/RS e das universidades visando
manter sempre viva a reflexão, a avaliação e a troca de experiências na
formação dos economistas. Machado ressaltou a participação do Conselho em
eventos e atos procurando sempre valorizar, promover, divulgar e estimular
a demanda pelo profissional economista. Fez referência às ações de
parcerias com órgãos públicos e entidades empresariais como a Caixa RS,
BRDE, Garantia RS, Apex-Brasil, Instituto Evaldo Lodi da FIERGS, entre
outros. Destacou, ainda, a Gincana de Economia, em que além dos
tradicionais prêmios, deverão ser agregados
outros, podendo ser estágio remunerado e oportunidade de participação dos
vencedores em missões empresariais internacionais. Esta iniciativa é
objeto de um convênio em fase de concepção entre CORECON/RS e ApexBrasil.
As
comemorações do cinquentenário do Curso de Ciências Econômicas foram
destacadas pela professora Carolina Gullo. Ela ressaltou que a UCS sediou
o primeiro Encontro realizado no interior, em 2001, quando o CORECON
tornou o evento itinerante e que é uma honra receber o mesmo evento no ano
do cinquentenário. A economista evidenciou a importância do curso de
economia, refletindo que este influenciou o desenvolvimento da cidade,
visto que muitos diretores de grandes empresas locais foram formados na
UCS.
O
reitor Isidoro Zorzi destacou a importância do Curso de Economia e que é
um dos primeiros criados pela UCS. Lastimou a situação difícil enfrentada
pelas Instituições de Ensino Superior com Cursos de Economia. “Este é um
momento para refletir sobre os rumos dos cursos e repensar os currículos”.
O reitor expressou o desejo da UCS que os cursos de economia voltem a ter
o mesmo status que tinham há 20 anos.
Futuro dos Cursos de Economia

Representaram os Cursos de Economia, os professores Ario, Judite,
Alexandre e Jacqueline
O painel “Quais as perspectivas dos cursos de economia? Diagnósticos e
soluções” foi integrado pelos professores Ario Zimmermannm, da UFRGS,
Judite Sanson de Bem, Coordenadora do Curso na Unilasalle, Alexandre
Reis, Coordenador de Curso da Unifra, e Jacqueline Maria
Corá,.coordenadora do Curso de Ciências Econômicas.
A
professora Jacqueline falou sobre o grande desafio dos cursos em conciliar
o interesse o ensino acadêmico com a prática profissional. Ario Zimmermann
ressaltou que enquanto os cursos não apresentaram grandes mudanças em
currículos, o mercado de trabalho evolui bastante. Para ele, esta questão
é enfrentada estudando mais e primando pela formação teórica, importante
para que os economistas encontrem boas oportunidades. Zimmermann afirmou
que existem cada vez mais oportunidades para a inserção do economista no
mercado do setor privado (consultoria, auditoria, análise) e que muitas
oportunidades estão sendo prejudicadas e aproveitadas por profissionais de
outras áreas. Ario destaca que “somos um grupo menor, mas somos
diferenciados. Temos que preservar e qualificar o que nos diferencia”.
Judite Sanson de Bem avaliou que existe uma dificuldade dos alunos em
compreender a complexidade das ciências econômicas e há uma ansiedade de
colocação no mercado de trabalho. Lembrou do desafio de adequar a
realidade conjuntural e estrutural dos cursos ao aluno que trabalha o dia
interior e estuda a noite. “É preciso estar atento para observar estas
realidades”.
Alexandre destacou que a economia é uma ciência e terá que seguir regras
científicas. Ele evidencia que não se pode dispensar o referencial
teórico, mas sim utilizar uma linguagem mais clara a usual, com os alunos
e com a sociedade. “É uma falha acadêmica não conseguir fazer esse diálogo
com a sociedade”.
A
partir dos debates, os participantes sugeriram a criação de um grupo de
estudo para discutir a formação profissional em conexão com o mercado de
trabalho. A formalização deste grupo ocorrerá na medida que forem
realizados contatos entre as instituições interessadas.
Ferrari: “A crise terá repercussões na economia mundial nos próximos 2 ou
3 anos

Ferrari destaca que a ação estatal é fundamental para remediar e
prevenir futuras crises
Fernando
Ferrari Filho apresentou a palestra “A ‘desconstrução’ do pensamento
econômico perante a crise de 2008/2009”.
Sobre a
crise financeira global, Ferrari, que acabou afetando a economia real e
originando a recessão. O economista destacou que as teorias de J. M.
Keynes e H. Minsky são as mais adequadas para explicar a crise e suas
repercussões e também que a solução passa, necessariamente, por políticas
macroeconômicas de cunho keynesiano.
O tempo de
duração da crise, alertou o palestrante, dependerá do grau de intervenção
das autoridades econômicas, isto é, políticas contra-cíclicas, fiscal e
monetárias. Ele evidencia que já foram tomadas medidas, como redução
drástica de taxa básica de juros (ex.: FED = 0,25%, Banco da Inglaterra =
0,5%, Banco do Japão = 0,0% - ao ano) e injeção de cerca de US$ 10
trilhões pelos bancos centrais e tesouros nacionais. No Brasil, redução de
alíquotas de IPI e IR para pessoa física, ampliação do investimento do PAC
e flexibilidade do superávit fiscal (3,8% para 2,5%). Neste caso, para o
economista, falta uma redução mais abrupta da Selic. “A despeito dessas
medidas, há um consenso de que a crise terá repercussões na economia
mundial nos próximos 2 ou 3 anos”.
A questão
mais preocupante no atual momento é que caminhos tomar para remediar e
prevenir futuras crises. Fernando Ferrari destaca algumas possibilidades,
como a regulação financeira, a ação estatal (políticas econômicas), a
coordenação global entre as diferentes políticas nacionais (fiscal,
monetária e cambial) e a reestruturação do Sistema Monetário Internacional
com a criação de uma moeda de reserva universal e de um órgão
jurídico-institucional supranacional.

Aproximadamente
150 pessoas participaram dos painéis