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O Relatório Focus e o Mercado Financeiro

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Marivia de Aguiar Nunes - Economista, Analista do Banrisul - Corecon/RS Nº 8072

 

 

O que é o Relatório Focus?
O Relatório Focus é resultado de uma pesquisa iniciada em 1999 e realizada semanalmente pelo Banco Central do Brasil (BC), a qual inclui as projeções, ou expectativas, das principais variáveis macroeconômicas domésticas, utilizando, como fonte de dados, estimativas elaboradas por diversas instituições que atuam no mercado financeiro, como bancos, gestoras de recursos e consultorias.


Como ele é constituído?
As estatísticas divulgadas no Relatório incluem a mediana, a média, o desvio-padrão, o coeficiente de variação, o máximo e o mínimo para todas as projeções coletadas, sendo que a mediana é monitorada com maior atenção. Como principais variáveis do Relatório, pode-se citar índices de preços (entre eles, o IPCA e o IGP-M), taxa de câmbio (Real x Dólar americano), meta para a Taxa Selic, PIB, produção industrial e balança comercial.


Por que ele é relevante?
O monitoramento das projeções que constituem o Relatório tem expressiva relevância, na medida em que integra o conjunto de informações que subsidia as decisões de política monetária do BC, as quais visam ao cumprimento da missão institucional de assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda. Para tanto, a autoridade monetária implementou, em 1999, o Regime de Metas para a Inflação, com a finalidade principal de ancorar as expectativas do mercado, que, de forma geral, orientam o processo de formação de preços na economia, contribuindo, em última análise, para que a inflação efetiva esteja em linha com uma meta pré-estabelecida e anunciada publicamente. Em suma, ao sintetizar as projeções das instituições, acaba sendo um importante balizador para o mercado, alimentando o processo decisório dos agentes econômicos, ao impactar suas expectativas.


Qual é o incentivo oferecido pelo BC para que as instituições mantenham suas projeções atualizadas e como estão classificadas as previsões do Banrisul?
O BC, com o propósito de incentivar o aprimoramento da capacidade preditiva dos participantes da pesquisa e reconhecer seu esforço, elabora um ranking (o Top 5) das instituições que mais acertam as projeções para a economia brasileira. Este ranking é elaborado e divulgado, mensalmente, pelo BC, com base em notas que variam de zero, para o maior desvio em relação ao resultado mensal efetivo, a dez, para o menor desvio em relação ao resultado mensal efetivo. O Banrisul integrou este ranking em junho último, na categoria “Índices de preços - IPCA - médio prazo”, refletindo o comprometimento do Banco em assegurar a qualidade das projeções econômicas produzidas internamente.


Quais são as perspectivas do mercado para os anos de 2015 e 2016?
De modo geral, o mercado espera, para este ano, uma queda relevante do PIB, condizente com um cenário em que o quadro político continua conturbado e a confiança pessoal e corporativa permanece em deterioração. A despeito disso, a inflação deve se manter pressionada, na esteira da continuidade dos reajustes dos preços administrados e da tendência de depreciação cambial, motivada, particularmente, pela persistência de incertezas no ambiente doméstico. Para 2016, a perspectiva é de manutenção do quadro recessivo, refletindo o prolongamento do atual contexto macroeconômico doméstico e a contribuição do setor externo ainda inferior à potencial. Nesse horizonte, prepondera a expectativa de algum arrefecimento dos preços, em linha com uma atividade que deverá seguir fragilizada e com os efeitos defasados da política monetária. Frente a esse cenário, o Banco Central deve manter a atuação vigilante sobre a política monetária, sustentando a taxa básica de juros no atual patamar por período considerável e, com isso, contribuindo para a acomodação da inflação em níveis mais próximos do centro da meta. Adicionalmente, há que se considerar que uma eventual perda do grau de investimento pode agravar este quadro.