Economista Empresarial - por Humberto Dalsasso (*)           


Quando se refere a Economista, vem logo à mente, principalmente dos que não pertencem à categoria, o Economista Governamental. Isto é, aquele ligado ao poder executivo do Governo, especialmente ao planejamento ou aquele profissional generalista, teórico. 

Há alguma razão para esse desvio de raciocínio. A principal delas è a afinidade do Economista com a macroeconomia, o que lhe daria vantagem adicional para entender melhor o movimento dos fatores, os agregados macroeconômicos, a estrutura e os processos do sistema econômico, apesar de esta vantagem nem sempre ser valorizada pelo Governo, em que, em grande parte,  a maior valorização é dada à habilidade política e à competência corruptível. A amplitude às vezes  leva a situar o Economista na generalidade, na teoria sem prática.

 Mas  não se pode esquecer de que o bom Economista é, também, um “expert” em microeconomia, em economia empresarial.

Assim, um Economista preparado e evolucionista –  constantemente atualizado - , deve e pode entender o interno, o nível micro, o externo e o nível macro, o que é um aliado para o sucesso empresarial.

Além disto, há que se considerar o perfil individual do Economista, no conjunto RBEI, destacando a característica predominante.  Isto é, com o qual aquele profissional tem maior afinidade, se é com a  Realização(R), com a Administração/Burocracia(B), com o Empreender(E) ou com o político  o Integrar(I).

            Essas características, embora tenham fundamento talvez até genético, podem ser desenvolvidas. O que jamais existirá é uma idêntica habilidade em todas elas, até porque entre elas existem afinidades e contrastes.  Por exemplo, o Empreendedor(E)  e o Realizador(R) admiram-se pela complementaridade. Porém, não toleram o Burocrata(B), por  considerar que este  amarra e dificulta suas iniciativas. Por outro lado, não valorizam nem detestam o Integrador(I). Não o consideram  positivo nem negativo.  Evidentemente, nos dias atuais, em que a arquitetura organizacional  está passando por profundas transformações, o bom clima organizacional também exige esse fator.       

É bom que se saiba que cada uma dessas características é importante. O que muda  sua relevância é, até certo ponto, o nível, o  porte da empresa, a fase em que se encontra o  empreendimento e a fase de seu ciclo de vida empresarial(CVE).

Também é preciso ter-se consciência de que é quase humanamente impossível que um indivíduo tenha todas essas características em igual ou semelhante intensidade, até porque, como vimos, algumas delas são opostas. Neste caso, os opostos precisam ter a compreensão mínima e tolerância ou facilidade para o relacionamento. Entra aí a função I(Integrar) que, embora não seja decisiva para impulsionar o empreendimento, é importante para sustentar o bom clima organizacional, indispensável ao desenvolvimento empresarial.

Na criação do negócio a característica decisiva é o Empreendedor(E). Mas ele depende do Realizador(R) para converter a oportunidade em negócio efetivo. Esses dois perfis são indispensáveis em qualquer fase do negócio ou do ciclo de vida empresarial. Porém, com o crescimento e o amadurecimento, tanto o Administrador ou Burocrata(B) como o Integrador(I), têm papeis relevantes.

Com isso quero dizer que ao organizar, analisar, gerir ou assessorar uma empresa o profissional precisa ter conhecimento consciente dessa constituição. Isto tudo, porém, é apenas parte da tarefa, pois está voltada para dentro da organização.  Mas há outro componente relevante e poderoso que é o ambiente externo, o contexto. Este está cada vez mais complexo, volúvel, influente  e evolutivo, rumando ao elevado grau de competitividade .

A leitura e efetiva percepção dessa realidade externa com antecipação é fundamen-tal para o sucesso do negócio.  Quem as pratica  com excelência, geralmente é considerado pelos outros como “sortudo”. Isto é, aquele para o qual tudo dá certo. Tem sorte.

Fiz essa análise - relativamente longa – para fundamentar a importância e necessidade do Economista para o sucesso do empreendimento, seja ele privado ou público, grande ou pequeno. Mas aqui não me refiro apenas ao portador do título de Bacharel em Ciências Econômicas mas àquele efetivo, batalhador, competente   Economista evolucionista, que foi além do aprendizado dos bancos escolares, que é um contínuo e curioso aprendiz.

Ao ter as facilidades de perceber com antecedência a realidade interna da empresa e o contexto mutante, o Economista disponibiliza à empresa um valioso arsenal que é a pró-ação e, com isso, sair na frente. 

Outras categorias profissionais poderão adptar-se a isto mas ao Economista, seja ele autônomo, sócio de empresa, executivo, consultor ou membro do governo, isto deve ser, como se diz na gíria, o “feijão com arroz”, a comida diária. O ideal é a integração de profissionais e de perfis complementares na composição RBEI.

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(*) Economista, Consultor Empresarial de Alta Gestão.

 

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