As escolha determinam as experiências

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Tradeoffs: toda escolha envolve um custo

Somos livres para escolher e responsáveis pelos resultados.

Decidir, ou até mesmo deixar de decidir, é uma questão vital quando ameaças e oportunidades se apresentam.

A vida exige decisões equilibradas, embora nem sempre as escolhas conduzam aos objetivos desejados.

Para tomar decisões mais acertadas é indispensável reunir informações consistentes e analisar diferentes cenários: otimistas, conservadores e adversos.

Na Economia, uma das primeiras lições sobre tomada de decisão pode ser resumida em um antigo provérbio: "Nada é de graça."

Toda escolha envolve um custo.

Para alcançar um objetivo, é necessário abrir mão de outra alternativa igualmente desejável.

Decidir significa priorizar, renunciar e assumir as consequências da escolha.

Essa situação é definida pelo termo tradeoff, que representa uma escolha conflitante, em que a solução de determinado problema implica, inevitavelmente, custos ou perdas em outra área.

No cotidiano, todos enfrentamos tradeoffs: consumir hoje ou poupar para o futuro; viajar ou trocar o automóvel.

Em cada situação, a escolha de um caminho significa renunciar a outro...

Produzir para aprender: o motor oculto do crescimento econômico

PRODUZIR PARA APRENDER: O MOTOR OCULTO DO CRESCIMENTO ECONÔMICO

Por Giacomo Balbinotto Neto, professor de Economia do PPGE/UFRGS e da USP

Giacomo Balbinotto Neto

Giacomo Balbinotto Neto

Professor de Economia do PPGE/UFRGS e da USP

Por que algumas economias se tornam progressivamente mais produtivas à medida que produzem mais, enquanto outras permanecem presas a trajetórias de baixo crescimento? A resposta foi antecipada por Kenneth Arrow em 1962: produzir é, também, um processo de aprendizado.

A ideia parece simples, mas representa uma inflexão importante na teoria do crescimento. Até então, modelos neoclássicos, como o de Robert Solow, tratavam o progresso tecnológico como exógeno — essencial para explicar o crescimento, mas sem uma origem econômica claramente identificada. Arrow altera esse paradigma ao mostrar que o próprio processo produtivo gera conhecimento.

O mecanismo é direto. À medida que empresas acumulam experiência, trabalhadores tornam-se mais eficientes, processos são aperfeiçoados, erros diminuem e novas soluções técnicas emergem. O resultado é a queda sistemática dos custos unitários — um fenômeno conhecido como learning by doing. Esse padrão foi documentado empiricamente por Theodore Paul Wright na indústria aeronáutica e, desde então, replicado em diversos setores.

O aspecto mais sofisticado da teoria está nas externalidades. O conhecimento gerado por uma firma não é plenamente apropriável e se difunde para o restante da economia — por mobilidade de trabalhadores, imitação tecnológica e interações produtivas. Isso cria uma divergência entre retornos privados e sociais do investimento, levando a um nível de investimento inferior ao socialmente desejável.

As implicações são relevantes. No nível da firma, prevalecem rendimentos decrescentes ao capital. No agregado, porém, o aprendizado coletivo pode gerar retornos crescentes, uma vez que a produtividade depende da experiência acumulada da economia. Essa intuição antecipa a teoria do crescimento endógeno, posteriormente desenvolvida por Paul Romer e Robert Lucas.

O caso do Ford Modelo T é emblemático. Entre 1909 e 1923, o preço do veículo caiu de forma expressiva à medida que a produção aumentava, refletindo não apenas economias de escala, mas ganhos associados ao aprendizado contínuo.

A força dessa abordagem torna-se ainda mais clara quando observamos casos concretos. No Brasil, a experiência da Embraer é particularmente ilustrativa. A produção do avião Brasília (EM-120), nos anos 1980, revelou ganhos expressivos de produtividade à medida que a produção acumulada avançava. Estimativas econométricas indicam reduções significativas nas horas de trabalho por unidade, refletindo aprendizado organizacional, engenharia incremental e aperfeiçoamento contínuo dos processos produtivos.

Esse aprendizado, contudo, não se restringe à firma. Ele se difunde para fornecedores, engenheiros e para o sistema produtivo como um todo, ampliando seus efeitos sobre a produtividade agregada.

Fenômeno semelhante ocorre na área da saúde. Hospitais e equipes médicas com maior volume de procedimentos tendem a apresentar melhores resultados clínicos e maior eficiência operacional. Em cirurgias complexas — como transplantes ou procedimentos minimamente invasivos — a experiência acumulada é determinante para o desempenho. Aqui, o learning by doing não apenas reduz custos, mas melhora resultados e salva vidas.

A atualidade da teoria é evidente. Na energia solar, os custos caíram mais de 80% nas últimas décadas, em grande parte devido ao aprendizado associado à expansão da produção. Na indústria de semicondutores, a redução de custos segue padrões semelhantes. Na economia digital, plataformas aprendem continuamente com dados — e transformam esse aprendizado em vantagem competitiva.

Esses elementos ajudam a explicar o retorno recente das políticas industriais em economias avançadas. Mais do que proteção, trata-se de acelerar processos de aprendizado que geram ganhos de produtividade de longo prazo.

A contribuição de Arrow pode ser resumida de forma direta: crescimento econômico é, em grande medida, um processo de aprendizado coletivo. Economias que produzem mais não apenas acumulam capital — acumulam conhecimento.

No limite, não são apenas as economias que produzem mais que crescem — são aquelas que aprendem mais rápido.

Este artigo, de autoria do economista Giacomo Balbinotto Neto, professor de Economia do PPGE/UFRGS e da USP, foi publicado na seção Opinião da GZH.

Este artigo, do economista e conselheiro do Corecon-RS Giacomo Balbinotto Neto, foi publicado na seção Opinião do Jornal do Tocantins, em 4 de agosto de 2026.

► Leia o artigo completo no Jornal do Tocantins

Previsões do tempo e da economia

PREVISÕES DO TEMPO E DA ECONOMIA

Expectativas se formam com informações: não basta ser seguro, é preciso mostrar que é seguro

Felipe Garcia Ribeiro

Felipe Garcia Ribeiro

Professor de Economia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Quando empresas decidem hoje quanto alocar em fábricas, armazéns, maquinário, pesquisa e contratação de pessoas, é o futuro que "dá as cartas". São as expectativas sobre o amanhã, ganhos e prejuízos, que orientam quem decide investir. O passado pode até se repetir, mas o retrovisor não é bom conselheiro em um ambiente repleto de choques inesperados, como o econômico.

Ainda assim, as consequências econômicas e sociais dos desastres naturais drenam mais nossa atenção para os prejuízos de curto e médio prazo. Faz sentido: um desastre climático destrói o capital físico e interrompe os fluxos de negócios. O episódio de maio de 2024 exigiu bastante esforço contábil para mensurar os prejuízos imediatos e os de médio prazo, como perdas de produção e vendas. Mensurá-los era necessário para financiar as políticas de recuperação.

No entanto, pouco falamos do papel das expectativas. O Rio Grande do Sul, caso passe a ser percebido como mais sensível a desastres naturais (inundações e enchentes), ancorará negativamente as expectativas do mercado sobre seu futuro. Devemos esperar que o investimento caia permanentemente caso esse seja nosso novo normal. Afinal, investe-se sob incerteza, e informação sobre o futuro é valiosa. Vale lembrar: não são só empresas que mudam de planos; pessoas também. Para um Estado em déficit no saldo migratório e à frente no envelhecimento populacional, a pecha de mais arriscado climaticamente só piora essas tendências.

Nesse contexto, o Estado precisa de uma política efetiva de infraestrutura resiliente em relação às enchentes. Setor privado e população precisam confiar nos sistemas de defesas dos municípios lindeiros aos rios que transbordam quando chove em excesso. Expectativas se formam com informações: não basta ser seguro, é preciso mostrar que é seguro. Uma plataforma com divulgação permanente do que já foi feito, do que ainda será e da manutenção das defesas é imprescindível. Comunicar é efetivo e custa pouco. Mas, claro, é preciso ter o que comunicar.

Este artigo, de autoria do economista e ex-vice-presidente do Corecon-RS Felipe Garcia Ribeiro, foi publicado na seção Opinião do GZH em 27 de julho de 2026.

Quanto custa perder a CMPC?

Quanto custa perder a CMPC?

Foi publicado neste jornal um artigo do Presidente da Agapan, onde se posicionou contrário à implantação da CMPC, porque, em vez de aumentar a arrecadação de ICMS, daria prejuízo ao Estado, citando a Lei Kandir.

A baixa arrecadação do ICMS é verdade, é uma das causas da crise das finanças do Estado, mas ela não está na Lei Kandir, que só reduziu a arrecadação nos quatro anos seguintes à sua edição (1996 a 1999), quando a arrecadação perdeu participação no PIB. Ademais, com a reforma tributária, não haverá mais tributação na exportação, porque a mesma se dará no destino.

É claro que precisamos defender o meio ambiente. Sem ele não teremos vida no planeta. No entanto, não podemos virar as costas ao progresso e ao desenvolvimento. Temos que conjugar as duas coisas. O impacto do investimento dessa empresa equivale a 3,5% do PIB estadual, semelhante ao da GM, segundo cálculos.

Os altos déficits têm origem também na reduzida receita, que vai piorar se impedirmos a instalação de empreendimentos no Estado.

O Estado necessita aumentar muito a arrecadação para enfrentar os seguintes compromissos:

  • Volta do pagamento da dívida que, embora com os benefícios do programa Propag, superará R$ 4 bilhões anuais.
  • A alta despesa com previdência, cujo regime de repartição adotado sobre a integralidade das remunerações até 2016 tornou-se totalmente inviável ao longo do tempo. Em 1970 havia 76 servidores ativos para 24 inativos e pensionistas, numa razão de 3/1. Hoje há 40 ativos para 60 inativos e pensionistas, numa razão de 0,67/1.
  • Além disso, em função da Emenda Constitucional nº 108/2020, o Estado não poderá mais usar a despesa com inativos e pensionistas no mínimo de 25%, que devem ser aplicados no ensino. Terá que complementar ao longo de 15 anos, quando atingirá R$ 3,6 bilhões anuais.
  • Também para cumprir vinculações constitucionais, terá que aumentar sua contribuição para a saúde, que não pode mais fazer uso dos recursos aplicados no IPE, o que em seguida ultrapassará R$ 1 bilhão e continuará a crescer. Valor semelhante, o Estado terá que despender com precatórios judiciais.

Ao contrário do que cita o referido artigo, um empreendimento como a CMPC vai gerar emprego e renda para essa população tão desassistida, além do aumento da arrecadação.

Não podemos continuar nesse negacionismo para todo empreendimento que pretende se instalar no Estado. Por isso, o Paraná já nos passou e, em seguida, será a vez de Santa Catarina.

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Por que umas nações são ricas e outras, pobres?

A teoria predominante sobre a existência de nações ricas e pobres é a DAS INSTITUIÇÕES, o que nunca me convenceu completamente. Lendo o livro Armas, Germes e Aço, de autoria da Jared Diamon, encontrei no posfácio uma teoria que me convenceu mais, ainda, com alguns questionamentos. Por isso, resolvi fazer um resumo e publicar, porque muitos estudiosos se interessam pelo assunto. Vamos lá.

Começa ele destacando que UM DOS PROBLEMAS CENTRAIS DA ECONOMIA DIZ RESPEITO À POBREZA e À RIQUEZA NAS NAÇÕES. Nos países ricos, como Estados Unidos e Noruega, a renda anual per-capita é quatrocentas vezes mais alta que a dos países pobres, como a Tanzânia e o Iêmen. Por que alguns países são ricos e outros, pobres?

Inicialmente, o autor fez uma comparação entre a Holanda e a Zâmbia, país africano. Diz ele, se um extraterrestre tivesse visitado a Holanda, diria “Que país desafortunado! Só tem desvantagens!”

A Holanda tem um inverno longo e um verão curto, de modo que os fazendeiros só podem fazer um plantio ao ano. Não possui recursos minerais valiosos. É baixa e plana, não possuindo represas ou poder hidrelétrico e tem que importar carvão e petróleo. E, ainda, faz fronteira com a Alemanha que a invadiu em 1940. Um terço das terras holandesas está abaixo do nível do mar e corre o risco de ser inundado. Por isso o extraterrestre pôde concluir que a Holanda era uma país muito pobre...

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RS: a despesa que não cabe na receita

No final da década de 1990, ouvi do governador à época que a despesa do Estado não cabia dentro de sua receita, afirmativa essa que considerei tão verdadeira, que nunca mais esqueci.

De lá para cá, decorridos 30 anos, mesmo diante das várias reformas feitas, a da previdência e a administrativa que reduziram sensivelmente o crescimento vegetativo da folha de pagamentos, novas ocorrências pioraram a situação.

O PIB cresceu em média apenas...

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Populismo: “como nunca antes na história deste País”

A maioria da população não tem noção do rumo a que está indo o País. A expansão razoável do PIB não é o resultado de um programa consistente de crescimento, que não existe, mas dá a impressão de que o País está bem. A redução do desemprego deve-se mais às mudanças na legislção ocorrida no goverrno Temer, boas para aumentar o nível de emprego, mas não tão boas para os empregados. Há um crescimento da ocupação que está sendo chamado de...

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Orçamento federal para 2026, deficitário

O orçamento federal para 2026 atinge a marca de R$ 6,4 trilhões, o equivalente à metade (52%) do PIB. A pergunta inevitável é como a União, tendo apenas 23% da carga tributária, pode ter um orçamento dessa dimensão.

Ocorre que somente 53% dele é orçamento efetivo, oriundo de receitas próprias e aplicado na manutenção de ministérios e demais órgãos e nas transferências a estados e municípios.

O restante, quase a metade, corresponde ao pagamento de dívidas (R$ 3,17 bilhões), em que a maioria dos recursos decorre da troca de títulos vencidos por títulos vincendos (a vencer) e uma pequena parcela de operações de crédito, cuja maior parte também é usada para pagar a dívida, restando reduzidos valores para investimentos.

Mas o governo precisa formar um “superávit” de ....

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O Estado que receberá o próximo governador

O próximo governador receberá o Estado com altos compromissos, gerados ao longo do tempo. As grandes reformas feitas tiveram seus efeitos nos fluxos anuais, mas não eliminaram esses compromissos que devem ser atendidos parceladamente nos próximos anos.

Tais compromissos já serão altos no atual governo, mas ele possui os recursos para honrá-los.

Mas eles acabam e, a partir de 2027, o governo terá somente o que for gerado em cada ano. E, se não aumentar a receita, o que resta é insuficiente. Os compromissos situam-se próximos a R$ 10 bilhões, com variações anuais.

O principal compromisso é a dívida que, por razões variadas, ficou 10 anos sem pagamento. Agora houve uma suspensão de 3 anos.

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quero que faça um noticia nova neste mesmo estilo que estou mandando, vou mandar as informações

Margens para investir dos estados com destaque para o Rio Grande do Sul

Este texto visa comparar as margens para investir dos estados nos triênios 2014-2016 e 2022-2024, com destaque para o Estado do Rio Grande do Sul. A dívida consolidada dos estados (DC) alcançou em 2024 R$ 1,191 trilhão, sendo R$ 911,4 bilhões a dívida consolidada líquida (DCL). 

Em proporção da receita corrente líquida (RCL), a maior dívida líquida era a do Estado do Rio de Janeiro, 211,32%, seguido do Estado do Rio Grande do Sul, com 184,67%.  Dívida líquida é a dívida bruta deduzida das disponibilidades de caixa.

No trimestre 2022-2024, os seis estados que apresentaram mais alta margem para investir em percentual da RCLe foram: .......

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