PREVISÕES DO TEMPO E DA ECONOMIA
Expectativas se formam com informações: não basta ser seguro, é preciso mostrar que é seguro
Felipe Garcia Ribeiro
Professor de Economia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Quando empresas decidem hoje quanto alocar em fábricas, armazéns, maquinário, pesquisa e contratação de pessoas, é o futuro que "dá as cartas". São as expectativas sobre o amanhã, ganhos e prejuízos, que orientam quem decide investir. O passado pode até se repetir, mas o retrovisor não é bom conselheiro em um ambiente repleto de choques inesperados, como o econômico.
Ainda assim, as consequências econômicas e sociais dos desastres naturais drenam mais nossa atenção para os prejuízos de curto e médio prazo. Faz sentido: um desastre climático destrói o capital físico e interrompe os fluxos de negócios. O episódio de maio de 2024 exigiu bastante esforço contábil para mensurar os prejuízos imediatos e os de médio prazo, como perdas de produção e vendas. Mensurá-los era necessário para financiar as políticas de recuperação.
No entanto, pouco falamos do papel das expectativas. O Rio Grande do Sul, caso passe a ser percebido como mais sensível a desastres naturais (inundações e enchentes), ancorará negativamente as expectativas do mercado sobre seu futuro. Devemos esperar que o investimento caia permanentemente caso esse seja nosso novo normal. Afinal, investe-se sob incerteza, e informação sobre o futuro é valiosa. Vale lembrar: não são só empresas que mudam de planos; pessoas também. Para um Estado em déficit no saldo migratório e à frente no envelhecimento populacional, a pecha de mais arriscado climaticamente só piora essas tendências.
Nesse contexto, o Estado precisa de uma política efetiva de infraestrutura resiliente em relação às enchentes. Setor privado e população precisam confiar nos sistemas de defesas dos municípios lindeiros aos rios que transbordam quando chove em excesso. Expectativas se formam com informações: não basta ser seguro, é preciso mostrar que é seguro. Uma plataforma com divulgação permanente do que já foi feito, do que ainda será e da manutenção das defesas é imprescindível. Comunicar é efetivo e custa pouco. Mas, claro, é preciso ter o que comunicar.
Este artigo, de autoria do economista e ex-vice-presidente do Corecon-RS Felipe Garcia Ribeiro, foi publicado na seção Opinião do GZH em 27 de julho de 2026.

