Corecon Acadêmico: Economistas levam experiências de mercado a estudantes

A Faculdade de Desenvolvimento do RS (Fadergs) foi palco, na noite da última quinta-feira, dia 26, da retomada do programa Corecon Acadêmico, promovido pelo Corecon/RS. Desenvolvido junto às universidades gaúchas, com o objetivo de levar aos estudantes experiências de profissionais sobre o mercado de trabalho, o novo formato, mensal e itinerante, em estilo “talk-show”, reúne economistas de diversas áreas e setores, jornalistas e estudantes do Curso de Ciências Econômicas da Universidade anfitriã, para discutirem temas de interesse dos estudantes da área de Economia.
Da primeira edição do Corecon Acadêmico, intitulado “O Economista na Sociedade”, ocorrida no Auditório da Instituição, participaram os economistas Leandro Antônio de Lemos (ex-presidente do Corecon/RS e professor da PUCRS), Bruno Breyer Caldas (conselheiro do Corecon/RS e pesquisador da Fundação de Economia e Estatística - FEE), Oscar Frank Junior (ex-professor da Fadergs) e Paulo Costa Fuchs (vice-presidente do Instituto de Estudos Empresariais – IEE e sócio-Diretor da FAAST Consultoria Inteligente). O debate foi mediado pela editora-assistente de Economia do Jornal do Comércio, jornalista Cristine Pires, e também contou com a participação do estudante da Fadergs, Vitor Fontanari da Silva.

Os trabalhos foram abertos pela coordenadora do Curso de Ciências Econômicas da Fadergs, professora Cláudia Katherine Rodrigues, que agradeceu a presença dos palestrantes e falou sobre a importância do evento. Disse que a Fadergs e o Corecon/RS levam este debate para dentro da faculdade, com o objetivo de oportunizar aos alunos a discussão do papel do economista na sociedade. “Temos que pensar numa sociedade que está em constante transformação e saber que o papel do economista também está se alternando e se modificando na medida em que o tempo avança”, afirmou.
Ao iniciar os trabalhos, a jornalista Cristine Pires solicitou aos participantes que falassem sobre suas experiências profissionais, assim como, também, sobre o perfil do economista para atuar no mercado de trabalho atual.
Bruno Caldas, que além de pesquisador da FEE é conselheiro do Corecon/RS, iniciou sua apresentação informando que o economista não é um intelectual, não precisa falar bonito e muito menos convencer aos outros de que ele possua uma teoria mágica para resolver problemas, mas que “ele deve, isso sim, gerar credibilidade através do seu trabalho”. Disse que a função da universidade é ensinar o método científico em economia, a capacidade de isolar a causalidade entre as variáveis, tanto na questão da macroeconomia, como na questão mais específica.
O professor da PUCRS e ex-presidente do Corecon/RS, Leandro de Lemos, explicou a importância do Conselho de Economia na vida do profissional. Agradeceu a convivência que teve com os conselheiros da Entidade na época em que desempenhou suas atividades como conselheiro ou como presidente. “Foi ali que aprendi a ser economista”, disse, lembrando que se trata de voluntários que, mesmo não sendo remunerados, dedicam parte e tempo importantes de suas vidas na busca da valorização da atividade profissional de Economia no mercado de trabalho. Falou sobre a necessidade de modernizar as ferramentas acadêmicas de formação do economista, ressaltando que as empresas atuais possuem modelagens de produção totalmente diferentes das que aprendemos nos cursos de Economia. Citou, como exemplo, empresas da área de energia solar, ou de biofármicos. “Estudamos modelos para utilizar pontos de equilíbrio, e temos que ter a ferramenta para buscar a eficiência das empresas no mercado”, afirmou, citando recuperação econômica de empresas, Participações Público-Privadas (PPPs) e projetos de inovação como grandes áreas para atuação do economista.
O economista Paulo Fuchs falou dos motivos que o levaram a criar sua empresa e apresentou algumas ideias da escola econômica de pensamento austríaca. Disse que o economista é uma pessoa que analisa a sociedade com base na ciência e que as pessoas devem ter a liberdade de decidirem individualmente como é que vão gastar o seu dinheiro. “Enquanto o Brasil não acumular capital não terá crescimento sustentável e viveremos apenas de espasmos de crescimento”, afirmou.
O economista Oscar Frank Júnior falou sobre a importância que o profissional de economia tem na relação com o aumento da eficiência, da possibilidade de geração de valor e de riquezas. Defendeu uma reavaliação do método de ensino nos cursos de Ciências Econômicas, através do maior foco às disciplinas consideradas fundamentais para a atividade do economista no mercado. “Essas disciplinas devem servir de ferramental básico que ele possa atuar de forma mais efetiva e eficaz no mercado de trabalho e na sociedade”, acrescentou.
O aluno Vitor Fontanari lembrou que foi na Faculdade de Economia que lhe foi apresentada a oportunidade de atuar no mercado financeiro de capitais e que foi no Curso de Ciências Econômicas da UNISC, onde iniciou os estudos, onde descobriu que a Economia é muito mais do que isso. “Ali, descobri que Economia é a ciência da ação humana, as causas e as consequências”, concluiu.




Os economistas gaúchos Pedro Cezar Dutra Fonseca, Ricardo Dathein e Márcia Scudella estão entre os vencedores do XXII Prêmio Brasil de Economia. Com o trabalho "Desenvolvimentismo: A Construção do Conceito", Fonseca conquistou o 1º Lugar na Categoria Artigo Técnico ou Científico. Dathein, conquistou o 3º lugar na Categoria Livro de Economia com a obra “Desenvolvimentismo: o conceito, as bases teóricas e as políticas”, do qual foi organizador, e teve, como autores, André Cunha, Fernando Ferrari Filho, Luiz Faria, Marcelo Milan, Marcilene Martins, Octavio Conceição, Pedro Fonseca e Ronaldo Herrlein Jr, da FCE/UFRGS. Márcia Scudella conquistou o 2º lugar na Categoria Artigo Técnico ou Científico com o trabalho “O Cooperativismo e o Desenvolvimento Local: um estudo da cooperativa de crédito Sicredi Serrana RS - Unidade de atendimento de Boa Vista do Sul (RS) no período do 1997-2010”.

Falando sobre os atuais desafios para o Brasil, o economista afirmou que há um forte plano demográfico que vai impactar na conta da Previdência de tal forma que o País não conseguirá mais escapar simplesmente fazendo pequenos ajustes, e disse que, ao observar-se uma agenda mais ampla, percebe-se que ainda hoje se discute a mesma pauta de cinco, 10, 15 ou 20 anos atrás. Lembrou que o Brasil gerou o seu boom demográfico na década de 60 e 70, com uma taxa de natalidade maior do que a de outros países, desacelerando, de uma forma muito rápida, ao longo da década de 80 e 90, provocando, assim, uma estrutura demográfica bem diferente da global. Afirmou que a sociedade terá que discutir o tipo e o tamanho de estado que quer, assim como suas formas de financiamento. “Seja o estado que for, maior, menor, mais atuante ou menos atuante, o importante é que ele precisa caber nele mesmo”. Lembrou, ainda, que os recentes movimentos por parte do governo não têm sido no sentido de uma melhora desse cenário e disse que, se o processo de impeachment encerrar, esse governo sabe que precisa fazer reformas, especialmente a da Previdência, mas fica a dúvida se terá capacidade política de fazê-las. “O que realmente mudou é a urgência e a necessidade, agora muito maior, de se fazer alguma coisa. E isso exige da sociedade uma maturidade muito maior do que ela vem apresentando até agora”, concluiu.
No dia 30 de julho, o vice-presidente da Aeconsul, economista João Carlos Madail, já havia participado da solenidade de colação de grau dos alunos do Curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Rio Grande (FURG), oportunidade em que representou o Corecon/RS na formatura de seis novos bachareis em Economia. A cerimônia aconteceu no Cidec Sul, no Campus Carreiros, em Rio Grande. 
