Arroz: Possível Escalada Global de Preços de Setembro 2026 a Setembro de 2028

Perspectivas para o mercado do arroz
ARTIGO • ECONOMIA E AGRONEGÓCIO
Perspectivas para o mercado do arroz
Por: Gilberto Pilecco - Economista e Produtor Rural - Alegrete/RS, 30 de agosto de 2026.
Parte I - Cenário
para Setembro de 2026 a Setembro de 2027.**
O preço do arroz a partir de setembro de 2026 no mercado ocidental, baseado no histórico dos acontecimentos e utilizando a Bolsa de Chicago como parâmetro, projeta uma equivalência mínima de U$16,50 a U$19,20 para saca de 50 kg no Brasil (aproximadamente R$85,00 a R$100,00). Esta projeção foi formatada entre janeiro e maio de 2026, sob um cenário que refletia o descompasso estrutural entre os custos de produção e os preços praticados, agravados pela Geopolítica. Na época, devido às incertezas, não foram considerados os impactos de um possível El Niño.
Essas estimativas resultam de uma analise minuciosa que cruza os dados do arroz com os de outras commodities, como soja, milho e trigo, além da cana-de-açúcar com foco na índia. Foram avaliados parâmetros de produção (preços e custos), consumo, estoques, logísticas, mercados (demanda dos países importadores e oferta dos exportadores), além das Influências climáticas e políticas publicas agrícola. O principal fator analisado foi a geopolítica, caracterizada pelas políticas utilizadas pelos países como narrativas estratégicas para manipulação dos mercados e preços.
Quando se conclui um trabalho de analise, sempre há parâmetros que se destacam com maior peso. Desta vez, os fatores “Geopolíticos, Preços e Custos”, somados ao conhecimento setorial, tornaram-se elementos de clarividência óbvia que sustentam a tendência de alta do mercado no curto e médio prazo.
- Primeiro fator econômico de clarividência óbvia: A produção mundial não se sustenta operando no prejuízo. Atualmente, os custos entre U$15,00 e U$17,00, enquanto os preços de mercado teimam em ficar na faixa de U$10,00 a U$12,00.
 - Segundo fator de influência direta: A acentuada redução da área plantada de arroz longo nos Estados Unidos. No estado do Arkansas, principal produtor americano, a área despencou 35,71% em apenas dois anos, caindo de 1.40 milhões de acres em 2024 para menos de 900 mil acres em 2026.
- Terceiro fator baseado no conhecimento histórico: O Continente Americano opera no limite do seu equilíbrio entre produção e consumo. Na safra 2024/25, a produção de arroz branco na região foi de 25,97 milhões de toneladas para um consumo estimado entre 25,50 a 26,00 milhões de toneladas. Esse aperto ocorreu mesmo com safras consideradas recordes tanto no MERCOSUL quanto nos EUA. O Brasil, por exemplo, produziu 12,75 milhões de toneladas em base casca (o equivalente a 8.7 milhões de toneladas de arroz branco) em 2024/25, segundo a Conab, contra uma media histórica anterior de 11 milhões de toneladas em base casca.
A realidade de mercado é clara: as Américas consomem praticamente tudo o que produzem. Como conseqüência direta, todo o volume de arroz exportado para fora do continente (para mercados como Coréia do Sul, Japão, Oriente Médio, Europa e África), precisa ser compensado e reabastecido por importações vindas majoritariamente da Ásia.
Diante disso, a dinâmica de abastecimento para a safra 2026/27 está sob forte ameaça. Estima-se que os EUA devem produzir cerca de 3.0 milhões de toneladas menos de arroz longo em casca (equivalentes a 2.0 milhões de toneladas de Arroz branco). Este é um volume que, com políticas publicas setoriais eficientes, poderia ser absorvido e produzido localmente no Brasil, mantendo em crescimento o PIB da lavoura e expandindo o mercado de exportação.
Parte II – O Cenário
para o Ciclo de Setembro de 2027 a Setembro de 2028.**
O contexto global atual é marcado por tensões geopolíticas, custos elevados, endividamento da agricultura, produção e estoques no limite. Se fenômeno El Niño se consolidar com forte intensidade entre 2026 e 2027, trazendo conseqüências mundiais semelhantes às observadas em 1997/98 ou 2015/16, é possível afirmar que a segurança alimentar global será duramente colocada à prova no biênio 2027/2028. Diante disso, não causará surpresa se, a partir do primeiro trimestre de 2027, os preços do arroz ultrapassarem a barreira de U$20,00 por sacas 50 Kgs.
O próprio Banco Mundial alerta para essa vulnerabilidade:
“Embora o El Niño freqüentemente prejudique a produção agrícola em países do Hemisfério Sul e Leste Asiático, os efeitos sobre os preços globais das commodities podem ser parcialmente atenuado quando os estoques globais são abundantes. O atual cenário de baixos estoques elimina essa proteção quase por completa”.
O histórico da produção, dos estoques e a armadilha das narrativas
Para compreender o risco atual, vale recordar os acontecimentos históricos e o comportamento do mercado. No biênio 2008/09, com os preços em forte escalada, os ministros da Agricultura do G7+Rússia reuniram-se em caráter de urgência na Itália, em 2009, com objetivo de discutir soluções para a escassez do arroz, focando na segurança alimentar. A estratégia na época consistiu na decisão do Japão colocar seus estoques reguladores a disposição do mercado internacional - reservas estratégicas que o país só utiliza em momentos extremos de necessidade interna.
O anúncio da disponibilidade das reservas japonesas, somado às noticias de que governos de todo o mundo passariam a incentivar a cultura do arroz, fez os preços despencarem em 2010. A partir de meados de 2011, o mercado começou a se reajustar para patamares que cobriam os custos.
Paralelamente, para incrementar os debates sobre segurança alimentar no âmbito do G20, foi criado em 2011 o Grupo de Trabalho (GT) da Agricultura. Seu propósito, além de zelar pela segurança alimentar, era propor investimentos sustentáveis para o setor.
Contudo, entre 2012 a meados de 2014, os preços operaram em patamares que cobriam os custos de produção, oferecendo margem de retorno ao produtor. Foi justamente nesse período de estabilidade que o GT passou a ser utilizado por governos para maximizar narrativas geopolíticas. O foco central desviou-se das iniciativas de fomento real à produção para priorizar estratégias de manipulação de mercado, visando garantir alimentos baratos para as populações urbanas em detrimento da sustentabilidade financeira de quem produz.
Incoerência estatística e o recuo indiano
Com o El Nino de 2015/16, esse mecanismo de narrativas políticas intensificou-se. Sob o aval silencioso de agências internacionais, relatórios oficiais passaram a apontar que a produção superava o consumo de forma folgada. Em apenas 4 anos (2016 a 2019), os estoques globais saltaram de 100 milhões para 175 milhões de toneladas nos papéis – e, após a publicação desses dados, o crescimento das reservas foi distribuído retroativamente entre os anos de 2012 a 2019.
A incoerência matemática dessas estatísticas ficou evidente nos anos seguintes. Se o mundo de fato detivesse esses volumes de reserva, não teria ocorrido a escassez severa que estrangulou o mercado entre 2022 a 2024. Além disso, nenhum país registrou aumento expressivo de produtividade nas ultimas duas décadas, com exceção da Índia. Apontada nos relatórios oficiais como responsável por mais de 70% desse incremento global, a própria Índia desmentiu os números na prática, caso os estoques fossem reais, o país não teria motivos para impor restrições drásticas às suas exportações com intuito de resguardar sua segurança interna.
O erro na dose em 2024
Em setembro de 2024, durante a reunião do GT da Agricultura do G20 no Brasil, as lideranças globais recorreram à mesma receita artificial para acalmar os ânimos diante da eminência do desabastecimento e das cotações elevadas. No entanto, erraram na dose das narrativas.
Como exemplo desse movimento, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a partir da reunião do GT, passou a aumentar mensalmente a previsão da safra global de 2024/25, atingindo em junho de 2025 o numero oficial impressionantes de 542 milhões de toneladas saltando significativamente sobre o recorde anterior de 522 milhões da safra 2023/24.
A pressão artificial dessas projeções não resolveu a escassez física do grão, cumpriu o papel de derrubar os preços internacionais para arroz barato, mas não cumpriu em fazer baixar os custos de produção. Incapaz de se sustentar financeiramente, a lavoura mundial perdeu eficiência e ficou inteiramente exposta às intempéries climáticas. Agora, as mesmas instituições que silenciaram no passado precisam inflar um “superculpado” climático para mascarar o erro das próprias narrativas e justificar a iminente inflação global dos alimentos.
O sinal de alerta nas monções asiáticas
O oceano Pacífico equatorial apresenta um aquecimento continuo antecipado em cerca de seis meses uma anomalia térmica inédita para este período do século. Seja este um sinal de um El Niño precoce ou não, o fato é que a anomalia já desregulou as monções na Ásia. O comportamento atual assemelha-se ao de um período pós-El Niño, que sempre atingem as regiões centro sul e leste da China (coração agrícola chinês) com inundações que impactam na produção agrícola, assim como, outras regiões no sudoeste asiático são impactadas por seca e calor extremo, principalmente na metade sul da Índia, Tailândia, Vietnã, Indonésia.
Essas evidências indicam que, no período de junho a setembro de 2027 - meses em que o regime de chuvas asiático é historicamente influenciado pelo Pacífico - o impacto sobre a produção será severo. O fenômeno não precisa ser classificado como um “Super El Niño”; basta que as águas aquecidas enfraqueçam os ventos sazonais para comprometer a produtividade.  Como as monções atuais já respondem a esse aquecimento, o mercado deve permanecer em alerta máximo entre o final de 2026 e o termino de 2027. Caso o continente asiático enfrente duas safras consecutivas de quebra na produção, pelo aquecimento antecipado e prolongado, o preço dos alimentos registrará picos históricos globais.
Diante dessas variáveis projeta-se uma curva ascendente para os preços mundiais do arroz em casca a partir do intervalo entre julho e setembro de 2027, estendendo-se até o bimestre de setembro e outubro de 2028, alcançando patamares que podem ser históricos. Preços elevados nessa magnitude elevam os custos logísticos e operacionais, gerando instabilidade em a toda a cadeia agroindustrial.
Como o mercado tende a se antecipar e buscar proteção quando os riscos são discutidos publicamente, os eventos podem não seguir rigorosamente a cronologia prevista. Por essa razão, opta-se por não fixar um valor nominal exato em dólares para o ciclo 2027/2028 neste momento. O valor desta análise reside no desenho estrutural dos acontecimentos prováveis, servindo como ferramenta de planejamento para os agentes que acompanham o setor.
CORECON-RS

A inequação orçamentária do Estado

A inequação orçamentária do Estado

Quem faz as leis para estados e municípios cumprirem não conhece o funcionamento das finanças púbicas desses entes. Nem todos eles são iguais, mas todos passam por situações semelhantes. Tomo o Estado do RS que, apesar de reformas feitas, a soma de suas despesas ultrapassa em muito 100% da receita.

Em 2020, foi editada a Emenda Constitucional n°108, que vedou a utilização da despesa com inativos e pensionistas na comprovação da manutenção e desenvolvimento do ensino (MDE), cujo mínimo deveria ser 25% da receita líquida de impostos e transferências (RLIT). Impediu, como isso, a utilização da maior despesa do Estado, que corresponde a 60% da folha de pagamentos.

Senão, vejamos...

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As escolha determinam as experiências

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Tradeoffs: toda escolha envolve um custo

Somos livres para escolher e responsáveis pelos resultados.

Decidir, ou até mesmo deixar de decidir, é uma questão vital quando ameaças e oportunidades se apresentam.

A vida exige decisões equilibradas, embora nem sempre as escolhas conduzam aos objetivos desejados.

Para tomar decisões mais acertadas é indispensável reunir informações consistentes e analisar diferentes cenários: otimistas, conservadores e adversos.

Na Economia, uma das primeiras lições sobre tomada de decisão pode ser resumida em um antigo provérbio: "Nada é de graça."

Toda escolha envolve um custo.

Para alcançar um objetivo, é necessário abrir mão de outra alternativa igualmente desejável.

Decidir significa priorizar, renunciar e assumir as consequências da escolha.

Essa situação é definida pelo termo tradeoff, que representa uma escolha conflitante, em que a solução de determinado problema implica, inevitavelmente, custos ou perdas em outra área.

No cotidiano, todos enfrentamos tradeoffs: consumir hoje ou poupar para o futuro; viajar ou trocar o automóvel.

Em cada situação, a escolha de um caminho significa renunciar a outro...

Produzir para aprender: o motor oculto do crescimento econômico

PRODUZIR PARA APRENDER: O MOTOR OCULTO DO CRESCIMENTO ECONÔMICO

Por Giacomo Balbinotto Neto, professor de Economia do PPGE/UFRGS e da USP

Giacomo Balbinotto Neto

Giacomo Balbinotto Neto

Professor de Economia do PPGE/UFRGS e da USP

Por que algumas economias se tornam progressivamente mais produtivas à medida que produzem mais, enquanto outras permanecem presas a trajetórias de baixo crescimento? A resposta foi antecipada por Kenneth Arrow em 1962: produzir é, também, um processo de aprendizado.

A ideia parece simples, mas representa uma inflexão importante na teoria do crescimento. Até então, modelos neoclássicos, como o de Robert Solow, tratavam o progresso tecnológico como exógeno — essencial para explicar o crescimento, mas sem uma origem econômica claramente identificada. Arrow altera esse paradigma ao mostrar que o próprio processo produtivo gera conhecimento.

O mecanismo é direto. À medida que empresas acumulam experiência, trabalhadores tornam-se mais eficientes, processos são aperfeiçoados, erros diminuem e novas soluções técnicas emergem. O resultado é a queda sistemática dos custos unitários — um fenômeno conhecido como learning by doing. Esse padrão foi documentado empiricamente por Theodore Paul Wright na indústria aeronáutica e, desde então, replicado em diversos setores.

O aspecto mais sofisticado da teoria está nas externalidades. O conhecimento gerado por uma firma não é plenamente apropriável e se difunde para o restante da economia — por mobilidade de trabalhadores, imitação tecnológica e interações produtivas. Isso cria uma divergência entre retornos privados e sociais do investimento, levando a um nível de investimento inferior ao socialmente desejável.

As implicações são relevantes. No nível da firma, prevalecem rendimentos decrescentes ao capital. No agregado, porém, o aprendizado coletivo pode gerar retornos crescentes, uma vez que a produtividade depende da experiência acumulada da economia. Essa intuição antecipa a teoria do crescimento endógeno, posteriormente desenvolvida por Paul Romer e Robert Lucas.

O caso do Ford Modelo T é emblemático. Entre 1909 e 1923, o preço do veículo caiu de forma expressiva à medida que a produção aumentava, refletindo não apenas economias de escala, mas ganhos associados ao aprendizado contínuo.

A força dessa abordagem torna-se ainda mais clara quando observamos casos concretos. No Brasil, a experiência da Embraer é particularmente ilustrativa. A produção do avião Brasília (EM-120), nos anos 1980, revelou ganhos expressivos de produtividade à medida que a produção acumulada avançava. Estimativas econométricas indicam reduções significativas nas horas de trabalho por unidade, refletindo aprendizado organizacional, engenharia incremental e aperfeiçoamento contínuo dos processos produtivos.

Esse aprendizado, contudo, não se restringe à firma. Ele se difunde para fornecedores, engenheiros e para o sistema produtivo como um todo, ampliando seus efeitos sobre a produtividade agregada.

Fenômeno semelhante ocorre na área da saúde. Hospitais e equipes médicas com maior volume de procedimentos tendem a apresentar melhores resultados clínicos e maior eficiência operacional. Em cirurgias complexas — como transplantes ou procedimentos minimamente invasivos — a experiência acumulada é determinante para o desempenho. Aqui, o learning by doing não apenas reduz custos, mas melhora resultados e salva vidas.

A atualidade da teoria é evidente. Na energia solar, os custos caíram mais de 80% nas últimas décadas, em grande parte devido ao aprendizado associado à expansão da produção. Na indústria de semicondutores, a redução de custos segue padrões semelhantes. Na economia digital, plataformas aprendem continuamente com dados — e transformam esse aprendizado em vantagem competitiva.

Esses elementos ajudam a explicar o retorno recente das políticas industriais em economias avançadas. Mais do que proteção, trata-se de acelerar processos de aprendizado que geram ganhos de produtividade de longo prazo.

A contribuição de Arrow pode ser resumida de forma direta: crescimento econômico é, em grande medida, um processo de aprendizado coletivo. Economias que produzem mais não apenas acumulam capital — acumulam conhecimento.

No limite, não são apenas as economias que produzem mais que crescem — são aquelas que aprendem mais rápido.

Este artigo, de autoria do economista Giacomo Balbinotto Neto, professor de Economia do PPGE/UFRGS e da USP, foi publicado na seção Opinião da GZH.

Este artigo, do economista e conselheiro do Corecon-RS Giacomo Balbinotto Neto, foi publicado na seção Opinião do Jornal do Tocantins, em 4 de agosto de 2026.

► Leia o artigo completo no Jornal do Tocantins

Previsões do tempo e da economia

PREVISÕES DO TEMPO E DA ECONOMIA

Expectativas se formam com informações: não basta ser seguro, é preciso mostrar que é seguro

Felipe Garcia Ribeiro

Felipe Garcia Ribeiro

Professor de Economia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Quando empresas decidem hoje quanto alocar em fábricas, armazéns, maquinário, pesquisa e contratação de pessoas, é o futuro que "dá as cartas". São as expectativas sobre o amanhã, ganhos e prejuízos, que orientam quem decide investir. O passado pode até se repetir, mas o retrovisor não é bom conselheiro em um ambiente repleto de choques inesperados, como o econômico.

Ainda assim, as consequências econômicas e sociais dos desastres naturais drenam mais nossa atenção para os prejuízos de curto e médio prazo. Faz sentido: um desastre climático destrói o capital físico e interrompe os fluxos de negócios. O episódio de maio de 2024 exigiu bastante esforço contábil para mensurar os prejuízos imediatos e os de médio prazo, como perdas de produção e vendas. Mensurá-los era necessário para financiar as políticas de recuperação.

No entanto, pouco falamos do papel das expectativas. O Rio Grande do Sul, caso passe a ser percebido como mais sensível a desastres naturais (inundações e enchentes), ancorará negativamente as expectativas do mercado sobre seu futuro. Devemos esperar que o investimento caia permanentemente caso esse seja nosso novo normal. Afinal, investe-se sob incerteza, e informação sobre o futuro é valiosa. Vale lembrar: não são só empresas que mudam de planos; pessoas também. Para um Estado em déficit no saldo migratório e à frente no envelhecimento populacional, a pecha de mais arriscado climaticamente só piora essas tendências.

Nesse contexto, o Estado precisa de uma política efetiva de infraestrutura resiliente em relação às enchentes. Setor privado e população precisam confiar nos sistemas de defesas dos municípios lindeiros aos rios que transbordam quando chove em excesso. Expectativas se formam com informações: não basta ser seguro, é preciso mostrar que é seguro. Uma plataforma com divulgação permanente do que já foi feito, do que ainda será e da manutenção das defesas é imprescindível. Comunicar é efetivo e custa pouco. Mas, claro, é preciso ter o que comunicar.

Este artigo, de autoria do economista e ex-vice-presidente do Corecon-RS Felipe Garcia Ribeiro, foi publicado na seção Opinião do GZH em 27 de julho de 2026.

Quanto custa perder a CMPC?

Quanto custa perder a CMPC?

Foi publicado neste jornal um artigo do Presidente da Agapan, onde se posicionou contrário à implantação da CMPC, porque, em vez de aumentar a arrecadação de ICMS, daria prejuízo ao Estado, citando a Lei Kandir.

A baixa arrecadação do ICMS é verdade, é uma das causas da crise das finanças do Estado, mas ela não está na Lei Kandir, que só reduziu a arrecadação nos quatro anos seguintes à sua edição (1996 a 1999), quando a arrecadação perdeu participação no PIB. Ademais, com a reforma tributária, não haverá mais tributação na exportação, porque a mesma se dará no destino.

É claro que precisamos defender o meio ambiente. Sem ele não teremos vida no planeta. No entanto, não podemos virar as costas ao progresso e ao desenvolvimento. Temos que conjugar as duas coisas. O impacto do investimento dessa empresa equivale a 3,5% do PIB estadual, semelhante ao da GM, segundo cálculos.

Os altos déficits têm origem também na reduzida receita, que vai piorar se impedirmos a instalação de empreendimentos no Estado.

O Estado necessita aumentar muito a arrecadação para enfrentar os seguintes compromissos:

  • Volta do pagamento da dívida que, embora com os benefícios do programa Propag, superará R$ 4 bilhões anuais.
  • A alta despesa com previdência, cujo regime de repartição adotado sobre a integralidade das remunerações até 2016 tornou-se totalmente inviável ao longo do tempo. Em 1970 havia 76 servidores ativos para 24 inativos e pensionistas, numa razão de 3/1. Hoje há 40 ativos para 60 inativos e pensionistas, numa razão de 0,67/1.
  • Além disso, em função da Emenda Constitucional nº 108/2020, o Estado não poderá mais usar a despesa com inativos e pensionistas no mínimo de 25%, que devem ser aplicados no ensino. Terá que complementar ao longo de 15 anos, quando atingirá R$ 3,6 bilhões anuais.
  • Também para cumprir vinculações constitucionais, terá que aumentar sua contribuição para a saúde, que não pode mais fazer uso dos recursos aplicados no IPE, o que em seguida ultrapassará R$ 1 bilhão e continuará a crescer. Valor semelhante, o Estado terá que despender com precatórios judiciais.

Ao contrário do que cita o referido artigo, um empreendimento como a CMPC vai gerar emprego e renda para essa população tão desassistida, além do aumento da arrecadação.

Não podemos continuar nesse negacionismo para todo empreendimento que pretende se instalar no Estado. Por isso, o Paraná já nos passou e, em seguida, será a vez de Santa Catarina.

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Por que umas nações são ricas e outras, pobres?

A teoria predominante sobre a existência de nações ricas e pobres é a DAS INSTITUIÇÕES, o que nunca me convenceu completamente. Lendo o livro Armas, Germes e Aço, de autoria da Jared Diamon, encontrei no posfácio uma teoria que me convenceu mais, ainda, com alguns questionamentos. Por isso, resolvi fazer um resumo e publicar, porque muitos estudiosos se interessam pelo assunto. Vamos lá.

Começa ele destacando que UM DOS PROBLEMAS CENTRAIS DA ECONOMIA DIZ RESPEITO À POBREZA e À RIQUEZA NAS NAÇÕES. Nos países ricos, como Estados Unidos e Noruega, a renda anual per-capita é quatrocentas vezes mais alta que a dos países pobres, como a Tanzânia e o Iêmen. Por que alguns países são ricos e outros, pobres?

Inicialmente, o autor fez uma comparação entre a Holanda e a Zâmbia, país africano. Diz ele, se um extraterrestre tivesse visitado a Holanda, diria “Que país desafortunado! Só tem desvantagens!”

A Holanda tem um inverno longo e um verão curto, de modo que os fazendeiros só podem fazer um plantio ao ano. Não possui recursos minerais valiosos. É baixa e plana, não possuindo represas ou poder hidrelétrico e tem que importar carvão e petróleo. E, ainda, faz fronteira com a Alemanha que a invadiu em 1940. Um terço das terras holandesas está abaixo do nível do mar e corre o risco de ser inundado. Por isso o extraterrestre pôde concluir que a Holanda era uma país muito pobre...

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RS: a despesa que não cabe na receita

No final da década de 1990, ouvi do governador à época que a despesa do Estado não cabia dentro de sua receita, afirmativa essa que considerei tão verdadeira, que nunca mais esqueci.

De lá para cá, decorridos 30 anos, mesmo diante das várias reformas feitas, a da previdência e a administrativa que reduziram sensivelmente o crescimento vegetativo da folha de pagamentos, novas ocorrências pioraram a situação.

O PIB cresceu em média apenas...

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Populismo: “como nunca antes na história deste País”

A maioria da população não tem noção do rumo a que está indo o País. A expansão razoável do PIB não é o resultado de um programa consistente de crescimento, que não existe, mas dá a impressão de que o País está bem. A redução do desemprego deve-se mais às mudanças na legislção ocorrida no goverrno Temer, boas para aumentar o nível de emprego, mas não tão boas para os empregados. Há um crescimento da ocupação que está sendo chamado de...

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Orçamento federal para 2026, deficitário

O orçamento federal para 2026 atinge a marca de R$ 6,4 trilhões, o equivalente à metade (52%) do PIB. A pergunta inevitável é como a União, tendo apenas 23% da carga tributária, pode ter um orçamento dessa dimensão.

Ocorre que somente 53% dele é orçamento efetivo, oriundo de receitas próprias e aplicado na manutenção de ministérios e demais órgãos e nas transferências a estados e municípios.

O restante, quase a metade, corresponde ao pagamento de dívidas (R$ 3,17 bilhões), em que a maioria dos recursos decorre da troca de títulos vencidos por títulos vincendos (a vencer) e uma pequena parcela de operações de crédito, cuja maior parte também é usada para pagar a dívida, restando reduzidos valores para investimentos.

Mas o governo precisa formar um “superávit” de ....

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